Para professor, falta vontade política para investir em energia solar

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iStockphoto.com / Lichtspieler Para o especialista, uma forma de aumentar o uso de energia solar seria diminuir os impostos.

Há anos diversos setores da sociedade brasileira e mundial discutem a necessidade da mudança das principais matrizes energéticas, principalmente em virtude dos impactos ambientais provocados por métodos mais tradicionais de geração de energia, como através da queima de combustível, construção de hidrelétricas, extração de carvão etc. O mundo precisa de soluções renováveis e que consigam permitir o desenvolvimento humano sem agredir o meio ambiente. Dentre as alternativas, a energia solar sempre foi apontada como uma saída ecologicamente correta e comprovadamente eficaz. Porém, por que não é tão difundida e aplicada mundo afora?

Segundo Heitor Scalambrini Costa, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFP) e autor do artigo “Energia Solar, por que não deslancha?”, falta vontade política para tirar grandes projetos do papel e tornar a energia solar uma realidade eficaz no Brasil. O especialista afirma que de toda a energia elétrica produzida no Brasil, apenas 0,0008% tem como origem a energia solar obtida pelos sistemas fotovoltaicos. “Tudo é questão da vontade política, ou seja, querer que essa fonte de energia tenha uma participação maior do que o 0,0008% na nossa matriz elétrica do Brasil”, afirmou Scalambrini em entrevista recente à Rádio Nacional AM Brasília.

Outro dado que justificaria maior investimento em painéis fotovoltaicos para geração de energia através do sol é que o Brasil, especificamente, é um dos países que mais recebe insolação durante todo o ano, passando de mais de 3000 horas em 365 dias. “Faltam subsídios para que esta tecnologia cresça no Brasil, assim como aconteceu com outros setores da economia brasileira, principalmente no setor automotivo que contou com benefícios governamentais no passado e cresceu muito no país”, complementou Heitor.

Scalambrini também reforçou que existem duas maneiras de se obter energia através do sol: a primeira é transformá-la diretamente em calor por meio de coletores solares que funcionam para aquecimento de água em chuveiros, por exemplo. A mesma tecnologia pode ser aplicada na indústria para movimentação de máquinas. A outra maneira, mais conhecida e defendida por especialistas, é a instalação de painéis fotovoltaicos que geram energia elétrica diretamente através de semicondutores e células fotovoltaicas.

“Muitas casas nas regiões sul e sudeste já trocaram chuveiros elétricos por modelos que utilizam o aquecimento da água por energia solar, economizando na conta no final do mês e contribuindo para o meio ambiente. Todavia, essa participação da energia solar precisa ser ainda maior no Brasil”, informou Scalambrini.

Falta de informação ainda é um problema

Para o professor, muitas pessoas ainda têm preconceito ou mesmo falta de conhecimento sobre os benefícios da energia solar, o que dificulta investimentos de empresas em painéis fotovoltaicos e também impede a criação de mais linhas de créditos de bancos para o público. “Tem que haver redução de impostos, tanto para quem comprar como para quem vende os painéis fotovoltaicos. Os países desenvolvidos foram por esta linha e hoje colhem os resultados”, comentou o professor da Universidade Federal de Pernambuco.