China pretende reduzir o consumo de carne em 50% até 2030

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lovelyshot Cerca de 15% da emissão de gases de efeito estufa provém do setor pecuário.

No começo de julho, os chineses foram destaque negativo em sites e jornais do mundo todo, já que em várias regiões do país comemorou-se o festival da carne de cachorro. Mas, virando a página, a grande potência asiática anunciou uma decisão que promete mudar o rumo do país – e, de certa forma, os costumes tradicionais – nos próximos anos. Até o ano 2030, a China pretende reduzir o consumo de carne para 50% da quantidade atual.

A medida anunciada pelo governo tem como principal objetivo diminuir os avanços do aquecimento global, tendo como uma de suas causas primárias o desequilíbrio causado no meio ambiente (como o impacto no clima, por exemplo). A iniciativa é mais uma a cumprir com o COP de Paris, quando 196 países acordaram em manter o aumento de temperatura global em no máximo 2ºC.

Com o intuito de adequar a população chinesa aos novos “moldes de alimentação saudável”, a campanha tem sido tem sido anunciada de diversas maneiras. Inclusive, uma das ações publicitárias do projeto trouxe o ator austro-americano Arnold Schwarzenegger e o diretor James Cameron, além de outros especialistas chineses, falando sobre as vantagens em se diminuir o consumo de carne.

Para se ter uma ideia, cerca de 15% da emissão de gases de efeito estufa provém do setor pecuário, sendo a China a terceira maior nação consumidora deste tipo de alimento.

“Diminuir o consumo e o desperdício de carne e de outros alimentos pode representar, além da redução significativa das emissões de CO2 equivalente do setor, uma menor demanda por conversão de novas áreas e, possivelmente, maior disponibilidade de grandes áreas para ações de conservação da natureza”, explica o coordenador do programa de mudanças climáticas e energia do WWF-Brasil, André Nahur, em entrevista para a própria organização.

Com isso, a ideia é transformar o setor pecuário chinês, já que no país o consumo de carnes exóticas é muito comum. Como explica Li Junfeng, diretor-geral do Centro Nacional de Estratégia de Mudanças Climáticas e Cooperação Internacional da China, “através deste tipo de mudança de estilo de vida, espera-se que a indústria pecuária se transforme e reduza as emissões de carbono”.