Brasil: lar do desperdício de água!

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Quem mora em São Paulo e, atualmente, depende do sistema de abastecimento da Cantareira está vivenciando o alerta de racionamento de água, medida que está sendo estudada como plano emergencial pelo governo de São Paulo juntamente com a Sabesp para tentar amenizar o baixo percentual de água na reserva, ocasionado pela estiagem que está castigando o estado.

Podemos crer que não houve um racionamento de água até o momento devido à estratégia do governo em ano de eleição para não se prejudicar, talvez se não estivéssemos em 2014 (com a eleição à nossa porta) poderia já ter havido outro tipo de estratégia de racionamento devido ao baixo índice no sistema de abastecimento.

© Depositphotos.com / chepko Racionamento de água.

Os períodos de estiagem aumentaram visivelmente nos últimos anos, se pararmos para pensar não existe mais o período de chuvas das famosas “águas de Março” como os nossos avós chamavam. Quando foi a ultima vez que tivemos invernos reais (de passarmos de Junho a Agosto torcendo para aumentar um pouco a temperatura), e verões com as “chuvas de verão” que eram passageiras e podiam refrescar um pouco? O resultado da poluição constante e degradação ao meio ambiente só pioram a nossa situação climática (em São Paulo sofremos com a estiagem atual, na região norte do Brasil, mais especificadamente, o Rio Madeira transbordou e várias cidades estão em estado críticos), a culpa desse caos do desequilíbrio ecológico é nossa.

De acordo com o a pesquisa feita pela Agência Nacional de Águas, cerca de 40% a 60% da água captada e tratada para distribuição se perde no caminho até as torneiras, devido à falta de manutenção das redes, à falta de gestão adequada do recurso e ao roubo. Baseando-se nessas informações, vemos que a nossa gestão pública e concessionárias criadas para auxiliar na administração de diversos departamentos deixam a desejar em várias áreas (saúde, transporte, etc.), inclusive em um bem tão precioso hoje em dia e que é finito: a água!

O Brasil não está se empenhando em manter o índice de preservação e conscientização da água, boa parte do valor que pagamos todos os meses na conta de água é referente à captação, tratamento e às despesas com que as concessionárias têm de arcar para que ela chegue até nossas casas ou às indústrias e agricultores, na verdade não estamos pagando pela água o valor real que ela vale, mas pelo serviço de fornecimento.”

Nos países desenvolvidos, onde o índice de perdas totais de água chega ao máximo a 15%, o governo local possui uma cobrança maior nas faturas cobradas e maiores fiscalizações quanto ao seu uso e desperdício, podendo gerar multas para as concessionárias responsáveis e consumidores finais que não utilizam corretamente ou não têm a consciência da necessidade em preservá-la.

Com essas informações, podemos ver que o Brasil não está se empenhando em manter o índice de preservação e conscientização da água, boa parte do valor que pagamos todos os meses na conta de água é referente à captação, tratamento e às despesas com que as concessionárias têm de arcar para que ela chegue até nossas casas ou às indústrias e agricultores, na verdade não estamos pagando pela água o valor real que ela vale, mas pelo serviço de fornecimento. A medida de implantação de cobrança real da água está sendo aplicada lentamente em algumas capitais do Brasil, mas ainda não sentimos o efeito positivo da arrecadação do valor que foi prometido que serviria para as propostas de incentivo a preservação, melhorias na fiscalização, no saneamento básico, etc.

A postura implantada no Brasil deixa visível que temos um longo caminho a melhorar e a nossa ajuda pode começar dentro das nossas casas, evitando o desperdício, mas, e se fosse implantado um método onde os consumidores pagassem um valor maior na fatura (pelo uso da “água real”), assim como nos países desenvolvidos? Se no consumo de energia elétrica no Brasil criamos a consciência na hora de utilizar e procuramos economizar energia, pois o modo de cobrança da energia utilizada é tarifado de maneira mais “agressiva” (devido aos impostos, serviços de coleta e distribuição de energia, etc.), porque essa estratégia não pode ser aplicada para a tarifação da nossa água? Não é porque temos água à “disposição” que podemos gastar sem nos preocuparmos com o amanhã.

No caso de empresas que engrossam ainda mais o índice de desperdício, poderia ter uma fiscalização melhor, para visar à diminuição do desperdício e aplicação de multas caso houver alguma irregularidade e um possível incentivo caso a empresa desenvolva uma medida eficiente de economia, mas infelizmente não é assim que funciona, o Brasil é conhecido como o país que possui o maior volume de água doce no mundo, mas não sabe aplicar as devidas leis para que a preservação e conscientização sejam realizadas, pois a maioria dos brasileiros só dá valor quando sentem no bolso.