Ceramista cria louça usando ossos bovinos

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Com este trabalho, Gregg Moore está contribuindo para que nada seja desperdiçado no restaurante Blue Hill, em Stone Barns

O ceramista Gregg Moore desenvolveu uma série de copos e louças para o Blue Hill em Stone Barns, um restaurante que fica em um centro educacional agrícola, localizado a 48 quilômetros da cidade de Nova Iorque.

A ideia partiu da necessidade de eliminar o desperdício, uma vez que as peças são feitas utilizando os ossos bovinos da carne que é servida no restaurante. Para isso, o artesão inspirou-se na tradição da porcelana de ossos (bone china), bastante comum na Inglaterra do século XVIII, e desenvolveu copos e louças de um branco translúcido, finas como um papel, mas bem mais durável e resistente do que a porcelana tradicional.

Gregg Moore é filho de um açougueiro de Nova Jersey e dá aulas de artes visuais na Universidade Arcadia, nos arredores da Filadélfia. Sua receita da porcelana de ossos foi inspirada na receita de Josiah Spode, o pai da porcelana britânica, que utilizava esta técnica no fim dos anos de 1700.

Foto: Divulgação/Gregg Moore / Legenda: Copos feitos com resíduos de osso da cozinha Blue Hill na Stone Barns

O processo

O artista utiliza em seu trabalho os ossos que são gerados a partir do consumo de carne no restaurante. Os ossos passam por várias horas de fervura e depois tudo é colocado em um forno a gás, para remover qualquer resíduo orgânico que tenha sobrado. No processo, chamado calcinação, o material é reduzido a pó e misturado com água formando uma espécie de lodo. Depois o material é seco e pulverizado para criar as cinzas ósseas. Essas cinzas são misturadas a outros dois ingredientes (um tipo de granito e caulim) para finalmente dar forma às peças.

Após um dia de secagem, as louças vão para o forno industrial. Embora entrem nesse processo perfeitamente redondas e simétricas, as bordas das peças mais altas se curvam por causa do calor intenso, criando formas suaves e orgânicas, fazendo cada peça única.

Os copos podem ser adquiridas no estúdio de Moore por duzentos dólares cada.

Foto: Divulgação/Gregg Moore