O único país com carbono negativo do mundo

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Apenas o Butão retira mais CO2 da atmosfera do que emite. Mas, como?

Há um pequeno país sem litoral, no alto do Himalaia oriental do sul da Ásia, que absorve mais gases de efeito estufa da atmosfera do que emite. Com apenas 800 mil habitantes espalhados por um território de menos de 15 mil milhas quadradas, o Reino do Butão limita o fluxo de turistas a um determinado número de pessoas por dia e esse é um dos motivos que colabora para esta condição exclusiva.

A constituição do país determina que 60% de seu território deve ser mantido e protegido como floresta. Como resultado, o Butão absorve cerca de sete milhões de toneladas de dióxido de carbono anualmente e produz apenas dois milhões de toneladas. Outra razão para isso, por incrível que pareça, é o fato do país ser relativamente subdesenvolvido. A maioria dos cidadãos trabalha na silvicultura ou na agricultura, o que justifica a emissão de menos de 2,5 milhões de toneladas de CO2 por ano. Só para se ter uma ideia, Luxemburgo, por exemplo, tem quase o mesmo tamanho e uma população menor, mas emite quatro vezes mais!

A razão do bom exemplo

Em vez do PIB, o Butão mede seu crescimento a partir do chamado Índice de Felicidade Nacional Bruta, que é baseado em quatro pilares: desenvolvimento sustentável, proteção ambiental, preservação cultural e boa governança.

A exportação de madeira é proibida por lá. As florestas são protegidas contra mineração, poluição e caça furtiva. Todas as reservas são protegidas e estão ligadas a corredores biológicos para que os animais possam se mover de uma zona para outra livremente e sem interação humana.

O governo tem planos de tornar a agricultura do país 100% orgânica ainda nesta década e livre de resíduos até 2030. E embora as projeções mostrem que as emissões do Butão podem dobrar até 2040, ele permanecerá negativo em carbono enquanto mantiver sua cobertura florestal atual, que, como dissemos, é garantida pela constituição do país.

Isso não é tudo. Além de subsidiar produtos ecológicos, como LEDs e veículos elétricos, o governo gera energia hidrelétrica limpa usando seus rios e a exporta aos países vizinhos – mas para a população, essa energia é distribuída gratuitamente para evitar que queimem lenha.

Rédea curta no turismo

Outra forma de o Butão se proteger é evitando o turismo de massa. Os turistas devem pagar uma taxa diária de desenvolvimento sustentável, que é destinada ao financiamento da educação, saúde e redução da pobreza, juntamente com a construção de infraestrutura sustentável para acomodar o turismo em crescimento.

Em todo o mundo, a maioria dos países estabelece visões para o desenvolvimento econômico e a prosperidade. E embora esteja espremido entre a China e a Índia, duas potências fortemente industrializadas, o Butão não se esforça para igualar o peso econômico de seus vizinhos. Em vez disso, valoriza sua cultura, pessoas e o meio ambiente acima de tudo – e pretende continuar assim, servindo de exemplo para o mundo. Cada país deveria se inspirar nessas práticas e adotá-las como referência.

Fontes: National Geographic | Intelligent Living