Componentes tóxicos são encontrados em alimentos para bebês

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Um em cada quatro dos alimentos para bebês analisados, continham metais pesados de acordo com o relatório do grupo Healthy Babies Bright Futures (HBBF)

Um relatório elaborado pelo Healthy Babies Bright Futures (HBBF) e suas organizações parceiras, apontou que 95% dos alimentos para bebês, submetidos a testes, apresentou um ou mais componentes tóxicos, incluindo chumbo, arsênico, mercúrio e cádmio. O estudo foi realizado nos Estados Unidos e analisou 168 alimentos para bebês de 61 marcas.

Quatro dos sete cereais infantis à base de arroz analisados ​​por este estudo, mostraram níveis de arsênico acima do padrão estabelecido pela Food and Drug Administration (FDA) – uma agência responsável por supervisionar a segurança alimentar nos Estados Unidos -, além disso, 80% dos alimentos para bebês revelaram conter mais chumbo do que o permitido. Pesquisas científicas mostram que as crianças são mais vulneráveis ao chumbo do que os adultos, principalmente porque elas absorvem a toxina com mais facilidade. Enquanto que os adultos absorvem entre 3 e 10% do chumbo presente na alimentação, as crianças podem absorver de 40 a 50%.

Os fetos, lactentes e crianças de primeira infância são os grupos mais sensíveis a esta substância, uma vez que seu sistema nervoso está em desenvolvimento. Esse metal, no organismo das crianças, contribui para o agravamento de problemas relacionados à dificuldade de aprendizagem e déficit de atenção. Além disso, três dos metais encontrados nos alimentos (arsênio, chumbo e cádmio) são cancerígenos.

Os alimentos mais seguros para crianças

Os estudos do HBBF descobriram que os alimentos que apresentam maior risco às crianças são aqueles à base de arroz, batata doce e sucos de frutas industrializados.

Por isso, o relatório indica algumas alternativas mais seguras: biscoitos e cereais sem arroz; mingau e cereais à base de aveia; alimentos que ajudam a aliviar o crescimento dos dentes, como banana congelada ou pepino; frutas e vegetais variados e de preferência orgânicos.

Como o arroz é uma das principais fontes de arsênico, o ideal é oferecer uma alimentação mais variada, utilizando outros grãos como aveia, trigo, milho, cevada, amaranto, quinoa etc.

E aqui no Brasil, existe risco?

Aqui no Brasil existe uma lei (nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, art. 7º, inciso IV), que impõe limites à quantidade de contaminantes, resíduos tóxicos, desinfetantes e metais pesados nos alimentos. A Resolução RDC nº 42, de 29 de agosto de 2013, também estabelece limites máximos de contaminantes inorgânicos em alimentos, mas ela não se aplica aos alimentos infantis. Então, visando preencher esta lacuna, em 2017 foi instituída a Resolução RDC 193/17, da Anvisa, que define detalhadamente os Limites Máximos Tolerados (LMT) dos contaminantes arsênio inorgânico, cádmio total, chumbo total e estanho inorgânico especificamente nos alimentos infantis.

Para consumir o arroz com mais segurança

Mesmo sabendo que existem leis que estabelecem níveis seguros de consumo dessas substâncias tóxicas, lavar o arroz antes de cozinhar e utilizar bastante água, são práticas que contribuem para reduzir o arsênico do arroz. Um estudo publicado no The Royal Society of Chemistry, em 2009, comprova isso e recomenda que “para reduzir o teor de arsênico total e inorgânico do arroz, o grão seja lavado e cozido na proporção de 6 partes de água para 1 de arroz. A lavagem e o enxágue, ajudam a reduzir o teor de arsênico, quando combinada com um grande volume de água no cozimento”, diz o estudo.