Vitória – Régia nos rios e na mesa

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Originária da região amazônica e uma das maiores plantas aquáticas do mundo, a Vitória – Régia é alimento suculento para peixes e mamíferos aquáticos, mas pode também estar presente à sua mesa, como uma saborosa refeição.

Com folhas verde-brilhantes, tem formato circular e chega a dois metros de diâmetro, com bordas laterais que formam uma espécie de bandeja rasa. Consegue suportar até 40 quilos, se forem bem equilibrados em sua superfície.
A Vitória – Régia se enquadra no perfil do que os pesquisadores chamam de Pancs – plantas alimentícias não convencionais. À mesa, a flor tem textura e sabor amargo que lembram a endívia (verdura da família das chicórias).
Já o talo, embora cheio de espinhos, que devem ser retirados, é suculento e pode ser usado como aspargo ou palmito; preparado como picles; virar espaguete ou ser utilizado em doces em calda e cristalizados. Se for desidratado, serve como “crocante” e fica similar à amêndoas de cacau.
O rizoma (caule subterrâneo), também chamado de cará-d’água ou cará-do-rio, pode ser consumido como um cará. No entanto, é menos usado porque, quando retirado, causa a morte da planta.
A Vitória – Régia é rica em amido, ferro e sais minerais.

Pipoca na panela

A semente da Vitória – Régia também é comestível e, quando estoura, vira pipoca, que é ainda mais crocante que a do milho e tem sabor adocicado. Outra particularidade está nos grãos, que são bem mais escuros.
Com as sementes também é possível fazer farinha, mingau e outros produtos.

Outros benefícios

A Vitória – Régia, que vive em águas quase paradas, sem correnteza e não muito profundas, tem propriedades laxantes e cicatrizantes, além da capacidade de colorir e fortalecer os cabelos.

Vitória – Régia, a rainha

No ano de 1832, o botânico alemão Eduard Friedrich Poeppig publicou um relatório identificando a planta como Euryale amazonica, após sua temporada de investigações em alguns países da América Latina, inclusive no Brasil.
Em 1836, o explorador britânico Robert Hermann Schomburgk enviou à Inglaterra alguns exemplares encontrados no Rio Berbice, nas Guianas Britânicas. A partir destes espécimes, John Lindley estabeleceu o gênero Victoria e descreveu a espécie Victoria regia em 1837. O nome é uma homenagem à rainha Vitória, que governou a Grã-Bretanha de 1837 a 1901. “Régia” vem de regina que, em latim, quer dizer “rainha”.

A lenda sobre a origem da planta

Na cultura indígena, a Vitória – Régia é o símbolo do amor da guerreira Naiá pelo deus Lua. A lenda diz que a Lua era um deus que namorava as mais lindas jovens índias e, sempre que se escondia, escolhia e levava algumas moças consigo e as transformavam em estrelas.
Apaixonada pela Lua, em uma noite, na margem do rio, Naiá enxergou a Lua refletida e acreditou que o deus estava ali a se banhar. Atirou-se ao seu encontro e morreu afogada.
Comovido, o deus Lua transformou a guerreira na “estrela das águas”, a vitória-régia. O perfume da jovem foi impresso na flor branca e é sentido durante a noite para encantar a Lua e os que sentem seu aroma. Já as palmas das folhas foram estiradas para que pudessem receber os afagos amorosos da luz lunar.