Poluição afeta a capacidade dos ursos polares de se reproduzirem

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Depositphotos A contaminação dos ursos ocorre através da alimentação.

De acordo com estudos, os poluentes “bifenilos policlorados”, também conhecidos por PCBs, proibidos nos EUA desde 1979, ainda flutuam no ambiente e podem ser os causadores do enfraquecimento ósseo dos ursos polares.

Esses PCB’s se espalham com facilidade no ambiente e podem causar câncer nos seres que os ingerem. Nos ursos polares essas substâncias provocam danos em um osso peniano conhecido pelo nome de “baculum”.

A contaminação ocorre de forma indireta, por meio da alimentação, já que estão no topo da cadeia alimentar. Desta forma, peixes absorvem as substâncias no oceano e são comidos por focas que são o alimento dos ursos. Cada animal guarda pequenas quantidades dos poluentes que vão se acumulando nos que ingerem maiores quantidades de alimento.

O que é um “baculum”

Muitos mamíferos, incluindo cães, gatos, morcegos, gorilas e ouriços, têm um osso em seus pênis chamado de baculum. O ser humano é um dos poucos mamíferos sem ele. Algumas teorias indicam que o baculum ajuda os machos a acasalarem por longos períodos de tempo e também estimulam a ovulação nas fêmeas, no entanto essas teorias ainda não foram comprovadas.

Pesquisadores testaram os ossos para verificar suas densidades minerais. A equipe também analisou os tecidos adiposos e gorduras corporais dos animais para checar as taxas de PCB’s encontradas neles. Após avaliação, verificou-se que em populações onde as concentrações de PCB’s foram as mais altas, a densidade mineral do baculum era menor, situação que pode tornar os ossos propensos a quebrar.

Naturalmente, o efeito envolveria o resto do esqueleto dos ursos também. No entanto, por ser tão pequeno, o báculo acaba particularmente vulnerável a perda de densidade mineral. Desta forma, considerando a localização do osso, a sua quebra poderia influenciar a reprodução dos ursos.

Os danos são grandes

Christian Sonne, biólogo da Universidade de Aarhus da Dinamarca e principal autor dos estudos com ursos, já encontrou, em pesquisas anteriores, evidências de que carboxilatos perfluoroalquilo e sulfonatos perfluoroalquilo são outras substâncias que podem causar problemas reprodutivos e de desenvolvimento, no fígado do urso polar, sangue, músculos e cérebro.

As pesquisas indicam que mesmo que os malefícios da poluição não apareçam de maneira direta, com o passar do tempo a exposição a essas substâncias podem representar grande dano aos animais polares.

Sonne finaliza explicando que os animais mais debilitados e que sofrem de forma mais direta com os efeitos nocivos da poluição dificilmente são estudados, pois eles se afogam ou são devorados por outros animais. Conclui, portanto, que os problemas podem ser muito maiores do que as teorias atuais têm dado conta de diagnosticar.