Compostagem humana pode ser a solução para problemas ambientais

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Empresa norte-americana é a primeira do mundo a transformar restos mortais em adubo orgânico

Até mesmo a morte pode ser sustentável. Isso é o que promete e primeira empresa do mundo a disponibilizar a compostagem de seres humanos, a Recompose.

Com sede em Seattle, nos Estados Unidos, a empresa inaugurará a primeira instalação de compostagem humana do mundo em Washington, em 2021.

O estado americano foi escolhido por ser o único do país a possuir uma lei (que entrará em vigor em 1º de maio de 2020), que permite que corpos humanos passem por um processo de “redução orgânica natural”, ou seja, uma forma de converter os restos mortais em um material orgânico rico em nutrientes, que pode ser devolvido à terra.

De acordo com o site da empresa, o corpo é colocado dentro de uma espécie de composteira humana, sendo coberto com lascas de madeira, alfafa e feno e depois arejado para permitir que as bactérias benéficas façam o trabalho de decomposição. O processo todo leva cerca de 30 dias e após esse período o produto resultante pode ser recolhido pelos familiares ou depositado em áreas de conservação na região de Puget Sound, em Washington, um gesto que faz lembrar que toda a vida está interconectada.

A Recompose afirma que faz a triagem de materiais não orgânicos (como marca-passos, próteses dentárias etc.) antes e após os 30 dias, para garantir que o produto final seja totalmente orgânico. De acordo com a empresa, a maioria dos medicamentos e antibióticos são naturalmente decompostos por microorganismos, sem causar qualquer contaminação no solo. Os custos previstos são de U$ 5,5 mil (cerca de R$ 23 mil, na atual cotação) e incluem todos os procedimentos.

Morte ecologicamente correta

A empresa explica que as práticas funerárias atuais são prejudiciais ao meio ambiente e, para alguns, psicologicamente insatisfatórias. Quando um corpo é enterrado em um cemitério tradicional ou cremado, há uma grande emissão de dióxido de carbono na atmosfera. Além disso, “essas práticas consomem terras urbanas valiosas, poluem o ar e o solo e contribuem para as mudanças climáticas”, justifica o site da empresa.

Segundo a fundadora e CEO da empresa, a arquiteta Katrina Spade, “cada pessoa que optar ser transformada em composto orgânico ao invés de ser cremada ou enterrada, ela economizará pouco mais de uma tonelada de carbono, o que é bastante significativo”, disse em entrevista ao site CityLab.

Para compreender esses impactos no meio ambiente, a empresa fez uma avaliação comparando o enterro convencional, a cremação, o enterro natural e a redução orgânica. Os resultados, de acordo com a Recompose, indica que a redução orgânica apresentou o melhor desempenho de todas as quatro opções na maioria das categorias. Eles estimam, inclusive, que uma tonelada de CO2 é economizada cada vez que alguém optar por uma redução orgânica, ao invés da cremação ou enterro convencional.