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Minicasas: simplicidade, praticidade e sustentabilidade

23 de janeiro de 2015
publicado por
Simone Tagliani

Fonte: tinyhousetal.com Além de mais baratas, as minicasas são ótimas alternativas para quem procura um estilo de vida mais saudável e com menos impacto para a natureza.

Em nosso país criou-se uma cultura onde a maioria da população acredita que felicidade está relacionada, entre outros fatores, a se ter uma boa moradia, com muitos metros quadrados, diversos ambientes bem equipados e decorados. Mas há quem diga que, neste quesito, a felicidade poderia ser justamente o contrário. Atualmente, na Europa e na América do Norte, muitas pessoas estão optando por um estilo de vida mais simples, prático e funcional através das tiny houses ou small houses, termos usados para designar as casas compactas de poucas dimensões.

Estas mini residências são construídas, em maioria, sobre chassis, plataformas metálicas com suspensão e rodas. Sua estrutura pode ser construída com perfis em madeira ou, até mesmo, com um container metálico utilizado em navios. Possuem medidas que variam conforme cada proposta. Com menos ou mais detalhes, os motivos para a sua compra são o custo baixo e o mínimo necessário para se viver, mas sem perder nenhum conforto. Isto pode ser visto também nos exemplares orientais, como as tutu houses e as satoshi kurosaki. Deste modo, se permite que o dinheiro do proprietário seja destinado para outras áreas da sua vida, como educação, saúde e lazer.

Podem-se comprar kits, onde o proprietário monta sua própria casinha, mas muitas já vêm prontas e completas. Como as tiny houses são pequenas e simples, alguns de seus itens são quase iguais em todos os modelos, como os sistemas hidrosanitários e elétricos. Já divisórias, móveis, nichos, armários, estofados e camas podem ser feitos sob medida e é isto que dará a personalidade visual à pequena edificação. Nos projetos, preza-se muito também pelo bom fluxo interno, pela ventilação cruzada, pelo isolamento térmico, pela composição do layout, pela otimização dos espaços, mas, principalmente, pela sustentabilidade.

Uma pessoa que opta por morar, passear ou trabalhar em uma casa como esta está procurando não só por uma arquitetura e design de interiores diferenciados, mas por um estilo de vida mais saudável e com menos impacto para a natureza. Este modelo de moradia ganhou a simpatia do público porque, diferente dos motor homes, possui menos materiais sintéticos, como carpetes e plásticos.

É comum ver tiny houses construídas com materiais de demolição ou com peças com certificado verde. Elas possuem um papel social muito importante. Elas ocupam menos espaço e são mais baratas, o que possibilita que mais pessoas ocupem menos espaço de moradia no tecido urbano e também são uma alternativa em que as prefeituras podem recorrer para tirar mais pessoas das ruas.

É comum encontrar tiny houses construídas com materiais de demolição ou com peças com certificado verde.

Aqui no Brasil, este conceito de micro moradia ou de micro estabelecimento de trabalho ainda é algo novo e pouco visto na prática. Recentemente duas novas tendências tomaram conta das ruas, as food truck, que são os veículos adaptados para restaurantes móveis; e os containers alugados para a construção civil. Este último modelo é um ótimo exemplo de sustentabilidade.Os recipientes de aço, originalmente fabricados para o transporte de carga em alto mar, são recuperados e transformados em módulos para vestiários, almoxarifados e salas de reuniões para canteiros de obra. A vantagem deste tipo de serviço é que se eliminam as necessidades de construir e desmanchar as pequenas casinhas provisórias. Também é uma obra seca, com menos caliça e resíduos líquidos. Isto diminui tempo, custo de mão-de-obra e de material, o que é ótimo para a natureza.

Não há dúvidas de que todos estes exemplos, citados acima, são excelentes soluções de engenharia, arquitetura e design. Se não pudermos ser adeptos a estas lindas miniaturas, podemos, pelo menos, nos inspirarmos para encontrar, em nossos lares e empresas, boas soluções para problemas de compatibilização de espaços. Já para aqueles que querem ter seus próprios exemplares, aqui no Brasil, deverão superar as diversas barreiras ainda existentes, tanto as culturais, quanto as de legislação para edificações ou veículos, que não estão totalmente adequadas para casos como esses.  Mas tudo indica que esta é uma moda que chegou com toda a força aqui nos trópicos e é somente uma questão de tempo para ganhar o gosto também dos brasileiros.