Curitiba investe em administração sustentável por toda a cidade

Infográfico Cidades Sustentáveis - Curitiba

Com população de 1.764.896 habitantes espalhados pelos 430,9 km² da capital paranaense, Curitiba foi escolhida para abrir o especial Cidades Sustentáveis, não pela densidade demográfica ou extensão territorial, mas pela maneira como o governo municipal administrou os recursos financeiros para proporcionar uma qualidade ambiental e de vida para as pessoas e ainda ensiná-las a preservar a natureza ao longo dos anos. Três iniciativas municipais e privadas foram responsáveis pela gestão exemplar.

A administração da capital paranaense conseguiu imprimir no aprendizado da população uma consciência ecológica através dos programas “Lixo que não é Lixo” e “Câmbio Verde”, método de descarte correto de lixo que trazia ao mesmo tempo a redução do volume de resíduos em aterros e o benefício para o bolso do cidadão com a troca por vale transporte e mais tarde, por alimento.

Outra grande iniciativa foi o projeto “Arranjos Educativos Locais”, espaços socioeducativos em que a gestão do lixo, técnicas de horta caseira e economia de água estão em pauta para ajudar a manter a organização ambiental da cidade.

As melhorias do transporte na capital também surtiram ótimos resultados para a cidade, através de faixas exclusivas inteligentes, os ônibus circulam com mais rapidez, além de tornar o transporte público mais eficiente e contribuir para a diminuição da poluição do ar.

Toda esta evolução fez de Curitiba uma colecionadora de prêmios, como o Global Green City Award, conquistado o ano passado, no Fórum Global sobre Assentamentos Humanos. Mas o seu desenvolvimento é fruto de muito trabalho, desde 1965, com a criação do IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), áreas urbanas vêm se desenvolvendo nos setores econômicos, sociais e ambientais.

Programa Câmbio Verde

Programa Câmbio Verde de Curitiba

Moradores de Curitiba trocam lixo por alimentos. Foto: Assessoria de Imprensa da Prefeitura

A campanha “Lixo que não é lixo”, criada em 1989 pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e a Secretaria Municipal de Abastecimento, incentivava a troca lixo por vale transporte na cidade, conscientizando os cidadãos sobre a coleta de lixo e o descarte correto, além de fazer com que a população utilizasse mais o transporte público.

Uma evolução desta campanha surgiu, em 1991, com o Programa Câmbio Verde, que tem o objetivo de desenvolver a consciência do descarte correto do lixo orgânico e inorgânico através de uma atividade que gere lucro para os produtores agrícolas e para o cidadão.

Nesta iniciativa, para cada 4 Kg de lixo reciclado, o morador recebe 1 kg de fruta ou verdura. Na mesma dinâmica de troca, a cada 2 litros de óleo de cozinha destinados à reciclagem, o cidadão pode trocar por 1 kg de alimento.

O resultado da ação são 2,8 mil toneladas de lixo recicláveis por ano. A ação é realizada a cada 15 dias em 100 pontos de coleta espalhados pela cidade, onde a prefeitura dispõe de um caminhão que leva as frutas e alimentos para efetuar a troca para os munícipes. Esta iniciativa já beneficiou 7,5 mil pessoas em Curitiba. Em janeiro de 2013 o programa distribuiu 86 toneladas de alimentos em troca de 344 toneladas de lixo.

Para orientar a população sobre o consumo consciente dos alimentos, uma comissão da Unidade de Educação Alimentar da Secretaria Municipal de Abastecimento também participa da ação com o apoio de nutricionistas para promover a alimentação saudável entre os curitibanos. Os profissionais ensinam sobre a higienização correta dos legumes e frutas e ainda distribuem receitas de sucos.

Para que todos estes programas continuem as administrações da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Abastecimento de Curitiba precisarão desembolsar uma quantia de R$ 398.356 mil em 2013.

Arranjo Educativo Local

Arranjos Educativos Locais

Educação ambiental para as crianças da comunidade. Foto: Assessoria de Imprensa Sesi-Paraná.

Curitiba vem contribuindo com atitudes sustentáveis que beneficiam a natureza e a população. Em 2009, o SESI-Paraná desenvolveu a metodologia do Programa Arranjo Educativo Local, no qual o objetivo é estimular estas práticas na comunidade e desenvolver ações de sustentabilidade baseadas no cotidiano de cada bairro.

Organizado pelo SESI-Paraná, o trabalho é orientado nos Quatro Pilares da Educação – conceito proposto por Jacques Delors no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século 21 – com temas relevantes como desenvolvimento humano, convívio social e desenvolvimento sustentável.

“O conceito de sustentabilidade é alcançado pela comunidade na medida em que os temas vão sendo abordados, na medida em que as pessoas vivenciam e compartilham suas experiências”, Maria Aparecida Zago Udenal, gerente de linha de ação do Sesi Paraná.

O programa realiza reuniões de três horas semanais, com duração de, no mínimo, três meses na casa dos parceiros ou até mesmo em centros comunitários, chamados de Ambiente Aprendizagem. A metodologia do projeto conta com atividades previamente planejadas pelos facilitadores, profissionais capacitados que dialogam com a comunidade e fazem o diagnóstico, aplicando ações sustentáveis na localidade. Com as informações coletadas, os facilitadores estimulam a efetuação de projetos como, revitalização de espaços públicos, resgate da herança cultural e educação ambiental para crianças e adultos.

Arranjos Educativos Locais

Foto: Assessoria de Imprensa SESI-Paraná.

O programa já foi realizado nas localidades de Campo Largo, São José dos Pinhais, Bairro Vila Verde, Bairro Vila Sandra e Bairro Portão, mas pode ser trabalhado pelos facilitadores em outras regiões da cidade.

A gerente de linha de ação do SESI-Paraná, Maria Aparecida Zago Udenal, relata que no início do programa houve dificuldade para envolver e contar com a participação e envolvimento das pessoas, mas que ao longo do processo de aprendizagem, a população absorveu as ideias. “O conceito de sustentabilidade é alcançado pela comunidade na medida em que os temas vão sendo abordados, na medida em que as pessoas vivenciam e compartilham suas experiências”, completa Maria Aparecida.

Transporte de trânsito rápido

BRT de Curitiba

Sistema de BRTs (ônibus de trânsito rápido) em Curitiba. Foto: mariordo59

O BRT (ônibus de trânsito rápido, em inglês) é um transporte coletivo sobre pneus ligado a uma rede de corredores e linhas, com estações fechadas, niveladas ao piso do ônibus, que diminui o tempo de embarque e desembarque de passageiros.

A implantação de corredores inteligentes, por onde passam os BRTs, começou 1970, contribuindo para o avanço do transporte público na cidade. Atualmente, mais de 2 milhões de passageiros utilizam o serviço de 385 linhas de ônibus. O projeto, que tem a colaboração do IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), diminui em 30% a frota de veículos.

As vias mais recentes de Curitiba, que fazem parte da Linha Verde Sul, será concluída em 2016, com um total de 18 km de extensão. O projeto prevê a conexão dos bairros do Pinheirinho até o Atuba. Ao final da construção, os 20 bairros – que antes ficavam separados pela rodovia, agora transformada em avenida e corredor de transporte com dez faixas exclusivas de ônibus, poderão ser acessados em todo o trajeto.

Com início em 2007, as obras de implantação do primeiro trecho de 9,4 km previstos foram terminadas em 2008 e já conectam os bairros de Pinheirinho ao Jardim Botânico, atendendo 30 mil usuários por dia. Foram investidos R$ 250 milhões na construção, com recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

A segunda fase, que ligará os bairros do Jardim Botânico ao Atuba, deve sair do papel no segundo semestre de 2013 e ser finalizada até 2016. Com recursos da AFD (Agência Francesa de Desenvolvimento), serão investidos mais R$ 192,2 milhões, para concluir as obras da Linha Verde Sul.

As vias inteligente e os BRTs fazem parte do Sistema Operacional RIT – Rede Integrada de Transporte estruturado pelo Sistema Integrado de Transporte de Passageiros – da capital e da região metropolitana, que garante a integração dos 14 municípios da Grande Curitiba. Para dar prioridade ao transporte coletivo, o projeto conta com 81 km de canaletas exclusivas, que garantem uma circulação viária mais rápida.

A Secretaria Municipal do Urbanismo declarou pela Lei Orçamentária Anual que a receita deste ano foi de R$ 28.846.000, também para manter a estrutura do transporte que é administrado junto a URBS (Urbanização de Curitiba), órgão ligado à secretaria.

Confira um vídeo do programa “Trânsito Consciente”, apresentado pelo cantor e compositor Gabriel O Pensador, que mostra como funciona o BRT de Curitiba:

Do lixo ao transporte, Curitiba tem se destacado pelas iniciativas que trouxeram resultados relevantes no âmbito social e ambiental. A gestão da cidade fez surgir, ao longo de 48 anos, uma população preocupada com o destino dos resíduos, que utiliza energias renováveis e, principalmente, com a consciência de que suas ações interferem positiva e negativamente no meio ambiente em que vivemos.

Confira abaixo mais cidades do Especial

Ingrid Araujo

Jornalista formada desde 2010, atualmente redatora do Pensamento Verde, escrevendo matérias relacionadas à preservação do meio ambiente e sobre sustentabilidade. Atuou como Diretora do Centro de Formação de Condutores e Educadora de trânsito, lecionando nas matérias de Legislação de Trânsito, Meio Ambiente e Cidadania.