Pelo bem do meio ambiente, não troque tanto assim de celular

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Quando você pensa sobre o aquecimento global, a primeira imagem que vem à sua mente geralmente são aqueles enormes blocos de gelos do Ártico desabando no oceano ou numa fábrica enviando grandes nuvens de fumaça para o céu?

Já parou para pensar que o seu telefone celular, esse minúsculo aparelho no qual provavelmente está lendo essa matéria, pode ser parte desse problema? Bem, prepare-se para se surpreender com algumas das maneiras como ele contribui para o aquecimento global.

Direto e reto e ao ponto: contribui ou não?

Sim, e muito. O mundo da tecnologia da informação e da computação vem tendo uma contribuição cada vez maior para o impacto ambiental. E aqui entram na conta todos os dispositivos eletrônicos que a gente não consegue viver sem, como laptops, PCs, monitores, tablets e, sim, smartphones, telefones celulares e até mesmo os centros de dados e redes de comunicação, que estão intrinsecamente ligados ao uso desses equipamentos. Essa pegada global atingirá impressionantes 14% até 2040, o que é mais da metade da contribuição de todo o setor de transporte mundial.

Como eles afetam diretamente o aquecimento global?

Muitas fábricas de telefones celulares são alimentadas por combustíveis fósseis, que liberam o excesso de CO₂ e outros gases de efeito estufa em nossa atmosfera. Isso sem contar o aumento da poluição por plástico.

Infelizmente, o problema está piorando a cada dia, e o plástico nem é a única peça problemática desse quebra-cabeça. Existem cerca de 5,15 bilhões de telefones celulares no planeta e o uso de smartphones está crescendo a uma taxa de 8% ao ano. E com cada nova inovação, mais modelos são jogados fora ainda em perfeitas condições de uso.
O nascimento de um telefone é a parte mais contaminante de seu ciclo de vida: cerca de 80% da pegada de carbono de cada dispositivo é gerada na fase de fabricação. Isso se deve à mineração, refino, transporte e montagem das dezenas de elementos químicos que compõem a tecnologia de ponta: ferro para alto-falantes e microfones, alumínio e magnésio para esquadrias e telas, cobre, prata e ouro para eletrônicos circuitos, grafite e lítio para as baterias, silício para o processador e chumbo e estanho para as soldas.

A mineração de cobalto, por exemplo, usa quantidades incríveis de eletricidade e contribui muito para as emissões globais de CO₂ e nitrogênio. A de lítio não produz essas emissões de gases de efeito estufa, embora use uma quantidade enorme de água.

O que podemos fazer para minimizar?

Existem várias maneiras de minimizar o efeito de nossos telefones celulares sobre o aquecimento global. Uma ação importante seria a transição de todos os data centers para fontes renováveis ​​de energia, em vez de eletricidade convencional. Isso porque, para cada mensagem de texto, para cada ligação, cada vídeo que você carrega ou baixa, há um data center que faz isso acontecer.

Além disso, seria importante que se fizessem mais esforços para reciclar unidades antigas – apenas 1% dos smartphones são realmente reciclados hoje. No entanto, os altos custos desse processo são muitas vezes o principal obstáculo.

Agora, levante a mão quem não checa o telefone a última coisa antes de ir para a cama e a primeira antes do café da manhã! Pode ser difícil de aceitar, mas estamos nos tornando cada vez mais dependentes de nossos telefones e essa dependência está totalmente relacionada com a frequência com que substituímos um equipamento em perfeito estado por outro novo. Só na Ásia, a quantidade de lixo eletrônico aumentou 63% em apenas cinco anos. Será que realmente precisamos trocar de aparelho com tanta frequência? Ter mais de um equipamento é mesmo necessário? Se ele quebrar, por que não tentar consertá-lo antes de comprar um novo?

Um smartphone para um “smartdono”

Do ponto de vista de curto prazo, tanto para empresas quanto para consumidores, pode parecer mais barato comprar um novo telefone do que consertá-lo. Mas, como vimos, pensando no planeta e em um prazo não tão longo assim, esse é o tipo de barato que costuma sair caro. E já estamos pagando essa conta.

Fontes: Green Matters | Exame | OpenMind BBVA | Envirotech online