A relação entre as boas práticas de fabricação de alimentos e o meio ambiente

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As Boas Práticas de fabricação (BPF) são exigências legais e importas pela legislação brasileira, a fim de preservar o meio ambiente.

O mercado atual é muito exigente e competitivo, e a fiscalização também está cada vez mais rígida, especialmente no setor de alimentos. Por isso, as fábricas e todas as etapas de manipulação de produtos alimentícios precisam acompanhar um padrão normativo, de modo a evitar multas e até anulação da permissão para continuar atuando. O cliente também tem um papel importante como fiscalizador desses produtos, e é fundamental que o consumidor não adquira itens fora do padrão de qualidade.

Até chegar à mesa do consumidor, o produto passa por vários processos, e qualquer falha ao longo desse caminho pode contaminá-lo. Caso o consumidor adquira uma infecção alimentar, por exemplo, a empresa sofrerá as consequências — seja com multas, processos ou perda de credibilidade no mercado. Como o preço é sempre muito caro, cada vez há mais empenho em manter um padrão inalterado de qualidade em todas as etapas.

Boas práticas na fabricação de alimentos

É grande a preocupação com o alimento que está sendo consumido já que, antes chegar à mesa, ele passa por vários caminhos cheios de situações que podem contaminá-lo. Tudo começa com a plantação e colheita do alimento, um procedimento que precisa obedecer a regras específicas para evitar o excesso de agrotóxicos e obter nutrientes suficientes para seu desenvolvimento saudável.

Nem sempre isso acontece, já que as toxinas de inseticidas são comumente encontradas nos produtos, com índices acima do permitido, além do impacto que a plantação causa na natureza. O mesmo ocorre com carnes e derivados, que precisam de alimentos específicos para a criação, além de ambientes adequados e outras regras que nem sempre são realmente seguidas.

Mas é durante a fabricação que há os maiores riscos de contaminação: se o ambiente não estiver de acordo com o exigido pelas normas sanitárias, não houver treinamento padronizado aos funcionários, o maquinário não estiver funcionando adequadamente e a empresa não exigir que os seus produtos originais sejam de qualidade inquestionável, o produto pode chegar às prateleiras dos supermercados com graves riscos à saúde.

No caso da indústria alimentícia, garantir boas práticas de fabricação de alimentos significa transmitir a segurança do produto para os clientes.  As Boas Práticas de Fabricação (BPF) são exigências legais e impostas pela legislação brasileira, e incluem o manuseio adequado de alimentos, os cuidados sanitários e a padronização de produtos de acordo com cada regulamentação.

As regras foram inspiradas pelo Código Internacional de Práticas e pela Organização Mundial da Saúde, e reconhecidas pela Organização Mundial de Comércio. As mesmas medidas são utilizadas em outros setores, como hospitais e hotéis, por também lidarem com alimentação e exigirem um rígido código de conduta.

Dessa forma, é preciso usar as Boas Práticas de Fabricação de Alimentos em indústrias. Deve-se seguir a recepção da matéria-prima, a forma como é processada e o despacho para as distribuidoras. Vale lembrar que, na produção, até mesmo a quantidade de produtos é avaliada — assim como os adicionais químicos, a qualidade da água usada e a forma como eles são manuseados e aglomerados.

Avaliação de riscos

É muito importante que haja um controle total e absoluto sobre as pragas comuns de uma indústria, mas também é preciso ter bastante cuidado com o controle químico de produtos usados para eliminá-las. Nesse sentido, as Boas Práticas de Fabricação (BPF) se aliam à Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) para que sejam implantadas medidas que mantenham a qualidade sanitária dentro das normas técnicas.

Usar produtos químicos próximos aos alimentos é um grande risco de contaminação. Os mais arriscados são os inseticidas com clorados e fosforados, que podem ser substituídos por alternativas mais apropriadas para a saúde a para o meio ambiente, inclusive os inseticidas de baixa toxicidade.

Dentre os maiores riscos de contaminação, está a presença de ratos, que podem transmitir leptospirose e contaminar o local onde os alimentos estão reservados ou serão manipulados. Há ainda a peste bubônica, que está presente nas pulgas parasitas de ratos. Para eliminá-los, é preciso fazer uma desratização com especialistas que saberão as áreas críticas onde o produto será aplicado, sem correr riscos aos alimentos.

Há outras pragas existentes e quase imperceptíveis — como formigas, baratas, moscas e mosquitos. Os riscos de contaminação são imensos, e podem estar presentes em ovos e microrganismos, que podem passar em qualquer lugar e ir disseminando poluentes e doenças.

Imagem: Traimak_Ivan / iStock / Getty Images Plus