Pesquisadores dizem que florestamento fez formigas desaparecerem na Patagônia

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iStockphoto.com / chefbenjamin Agora especialistas estudam o impacto que essa ação tem em ecossistemas em longo prazo.

Muito se fala sobre a importância de plantar árvores, já que elas são verdadeiros pulmões capazes de absorver o CO2 causador do efeito estufa. No entanto, ao se promover o plantio é muito importante perceber se o ecossistema em que esse florestamento ocorrerá é apropriado.

Cada região possui características próprias e a intervenção nelas pode alterar a vida que ali se manifesta. Em uma região da Patagônia, no sul da Argentina, formigas desapareceram por causa de um desequilíbrio no sistema causado pelo florestamento. A região é naturalmente árida e não comporta o tipo de florestamento que foi executado.

Amy Austin, pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Universidade de Buenos Aires, estuda agora o impacto que essa ação tem em ecossistemas em longo prazo. “Vimos mudanças na produtividade primária (isto é, no crescimento das plantas nativas), alterações na abundância da fauna do solo, nas cadeias alimentares, na decomposição e reciclagem do carbono, e não sabemos quais serão as consequências dessas mudanças”, afirmou Austin em matéria veiculada pela BBC.

Consequências da falta de planejamento

A pesquisadora e sua equipe ainda não sabem a causa do desaparecimento das formigas da região, mas apontam que estudos sobre mudanças químicas do solo e das sombras que as árvores criam serão fatores a serem investigados. As formigas são seres muito importantes nos ecossistemas, pois reciclam nutrientes do solo, regulam outras populações de insetos e dispersam sementes.

No caso da Patagônia Argentina, os programas de florestamento foram iniciados nos anos 1970. Naquele momento, o Estado estimulava essa atividade para aumentar a produção de celulose e papel. O plantio na área, portanto, sequer teve como objetivo a apreensão do CO2 e, na verdade, se presta a uma atividade bastante poluidora.

Austin termina defendendo que reflorestar não é necessariamente ruim, mas que essa ação deve ser feita levando em conta estudos sobre o ecossistema da região que se pretende florestar. “Se a ideia é plantar árvores com esse fim, é uma estratégia que precisa ser implementada com cuidado”, alerta a pesquisadora.