Nenhum país atende aos padrões de qualidade do ar da OMS

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Um estudo recente divulgado pela IQAir (empresa suíça de tecnologia) em parceria com a OMS indicou que, em 2021, nenhum país do mundo atendeu às diretrizes referentes à qualidade do ar estabelecidas pelo órgão de saúde. Ao todo, foram analisados dados de estações de monitoramento da poluição em 6.475 cidades e territórios de 118 países.

Os estudiosos avaliaram principalmente as medições de PM2.5, partículas finas de poluição com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros.

Provenientes da queima de combustíveis fósseis, essas pequenas partes de poluentes podem ser facilmente inaladas, penetrando profundamente no sistema respiratório e, consequentemente, podendo causar doenças respiratórias, neurológicas, cardiovasculares, além de câncer.

Há anos a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta sobre os riscos referentes à má qualidade do ar: em 2016, associou cerca de 4,2 milhões de mortes prematuras à poluição; em 2021, atualizou suas diretrizes reduzindo pela metade a concentração aceitável de partículas finas (PM2.5), que passou de 10 para 5 microgramas por metro cúbico.

A entidade aponta que, caso as novas diretrizes tivessem sido aplicadas em 2016, poderiam ter ocorrido quase 3,3, milhões de óbitos a menos.

Mapa da poluição do ar

O estudo aponta Bangladesh, Chade, Paquistão, Tajiquistão e Índia como os países mais poluídos de 2021. Nova Delhi (Índia) foi nomeada como a capital com pior qualidade de ar do mundo pelo segundo ano consecutivo, seguida por Dhaka (Bangladesh), N’Djamena (Chade), Dushanbe (Tajiquistão) e Mascate (Omã).

Países de regiões como o Leste Asiático, Sudeste Asiático e Sul da Ásia foram indicados como os que apresentaram a maior concentração média anual de PM2.5 ponderada pela população. Por exemplo, no Leste Asiático, 11% das cidades avaliadas apresentaram concentrações médias anuais superiores a sete vezes do que o estabelecido pela OMS, sendo todas elas localizadas na China. No entanto, apesar da China seguir entre os países mais poluídos do mundo, apresentou uma melhor qualidade do ar, com mais da metade das suas cidades tendo níveis mais baixos de poluição em relação ao ano anterior, incluindo a capital Pequim.

Na América Latina, quatro países conseguiram reduzir suas concentrações de PM2.5: Argentina, Brasil, Colômbia e Costa Rica. Ainda assim, no caso do Brasil, o relatório mostrou que em 2021 a floresta amazônica emitiu mais dióxido de carbono do que absorveu em função do aumento do desmatamento e incêndios florestais.

Já em países como Perú, Chile e Equador, a poluição segue crescendo, correndo o risco de atingir ou mesmo ultrapassar os níveis de 2019. Na região latino-americana, vale destacar que o Chile apresenta a pior qualidade do ar, com apenas uma cidade cumprindo a diretriz determinada pela OMS.

Na América do Norte também houve um aumento das emissões graças aos Estados Unidos e Canadá, países em que 96% das cidades não estão de acordo com os níveis seguros de poluição.
A situação não é muito diferente na Europa, que teve 1.588 cidades pesquisadas e apenas 55 em concordância com a diretriz da OMS.

Por fim, vale destacar que de todas as 6.475 cidades estudadas, só 222 apresentaram uma qualidade média do ar que atendeu ao padrão da OMS, com destaque para três territórios que cumpriram as diretrizes: Nova Caledônia, Porto Rico e Ilhas Virgens Americanas.

“Este relatório ressalta a necessidade de governos de todo o mundo ajudarem a reduzir a poluição global do ar”, disse Glory Dolphin Hammes, CEO da IQAir North America, à rede americana CNN. “(O material particulado fino) mata muitas pessoas todos os anos e os governos precisam estabelecer padrões nacionais de qualidade do ar mais rigorosos e explorar melhores políticas externas que promovam uma melhor qualidade do ar”.

O estudo realizado pela IQAir foi o primeiro que utilizou as diretrizes da OMS como base. Tendo em vista os resultados de 2021, todos os países têm um longo caminho pela frente na solução da poluição do ar, um problema não só ambiental, mas também de saúde pública.

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Fontes: Época Negócios | Infobae | Forbes