Agricultura foi a principal responsável pelo desmatamento no país, revela IBGE

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iStockphoto.com / bitenka De acordo com levantamento, uma área equivalente ao Estado de São Paulo foi devastada.

O Brasil perdeu 1,8% de suas florestas entre 2010 e 2012, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o equivalente à metade do observado no período de 10 anos, de 2000 a 2010.

A expansão das atividades agrícolas no período foi a principal responsável pela redução de 3,26 milhões de km² de vegetação florestal em 2010, para 3,2 milhões dois anos depois, o equivalente a 68% de todo o desflorestamento do país.

De acordo com o instituto, nos últimos dez anos, foram 236.600 km² de áreas desflorestadas, quase o tamanho do Estado de São Paulo, para a implantação de lavouras. Isso representa 65% do total do desmate no período. Já a expansão das áreas de pastagens responde pelos outros 35% do desflorestamento.

Resultados impressionam, mas não são inéditos

Para os especialistas os resultados alarmantes não são necessariamente uma novidade, já que muitos estudos indicam que apesar de o Brasil ter terra suficiente para agricultura e para pastagem, as terras na Amazônia, nas áreas de expansão da fronteira agrícola, são muito mais baratas do que as terras de outras áreas. Por isso, fica muito mais fácil os fazendeiros comprarem terra na Amazônia.

Para reverter a situação, o ideal seria que existisse uma fiscalização mais rigorosa quanto ao cumprimento das leis. Além disso, é preciso motivar a reutilização das terras já disponíveis e o financiamento para áreas já ocupadas, bem como conscientizar as pessoas que ainda não entendem que o desmatamento nas áreas de Cerrado e da Amazônia estão afetando o regime de chuvas.

Pesquisa leva em conta imagens obtidas em diversos satélites

Para a realização da pesquisa e obtenção de dados mais eficazes, o IBGE utiliza imagens de satélites de diferentes fontes, que permitem monitorar e verificar as transformações no uso e a cobertura da terra.

Ao todo, são utilizadas imagens de quatro locais: Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês), dos projetos Prodes (Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica) e Terraclass, além de outros dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).