Agronegócio brasileiro pode se tornar “carbono neutro” até 2030

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Um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sugere que a adoção de sistemas de Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF) na produção da soja e pecuária podem otimizar as criações e plantações, tendo o potencial de neutralizar as emissões de carbono do agronegócio até 2030.

Atualmente, o setor desempenha um papel de relevância na economia brasileira, respondendo por 27% do Produto Interno Bruto (PIB), além de gerar 20% dos empregos e 48% das exportações do país, tendo perspectiva de crescer ainda mais nos próximos anos.

No entanto, o agronegócio ainda responde por 28% das emissões totais de gases de efeito estufa, como indicado pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

O impacto ambiental das atividades agropecuárias e as mudanças climáticas se apresentam como os principais desafios a serem superados pelo setor que é extremamente vulnerável aos efeitos do aquecimento global, ao mesmo tempo em que seus processos de produção contribuem para o agravamento desse mesmo problema.

Sistemas ILPF e recuperação de pastagens são apostas

De acordo com os pesquisadores, dois processos são essenciais para a descarbonização da produção do agronegócio: a recuperação de pastagens degradadas, evitando o desmatamento, e os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

A degradação de pastos, por exemplo, além de gerar prejuízos econômicos aos produtores, também causa impactos negativos ao meio ambiente.

De acordo com os pesquisadores, dos 167 milhões de hectares de área de pastagem do Brasil, cerca de 42% ou 70,9% de milhões de hectares apresentam degradação moderada ou severa.

Como forma de recuperá-las, é indicada a adoção do sistema de produção de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que consiste em combinar diferentes tipos de produção agropecuária na mesma localidade, dando maior rotatividade ao uso do terreno pelo produtor, entre lavoura e pecuária.

A recuperação de pastagens degradadas pela ILPF traz benefícios econômicos e produtivos devido à melhora no valor nutritivo da forragem. O sistema de plantio direto utilizado na ILPF tem uma capacidade muito maior que outros sistemas para estocar carbono no solo.

A pesquisa afirma que “a combinação de agricultura e pastagem dentro da mesma área leva a sinergias entre os componentes do sistema que podem gerar ganhos de produção, redução de custos e melhoria dos serviços ecossistêmicos de biodiversidade”.

Sendo assim, esse tipo de integração reduziria os riscos de perda da atividade agrícola relacionados ao clima e à variação de preços do mercado.

Soja pode se tornar sumidouro de carbono

A soja brasileira, principal carro-chefe do setor agrícola nacional, é considerada uma cultura de baixo carbono.

Isso porque a principal forma de plantação no país é o sistema de plantio direto (SPD), que consiste em plantar as sementes sem as etapas de revolvimento do solo. Dessa forma, ele mantém uma cobertura permanente de vegetação/plantas em desenvolvimento que permitem a sua preservação e ocorrência de processos orgânicos. Só essa eliminação das operações de preparo do solo, gera uma economia de até 70% no consumo de combustíveis e consequente redução na emissão de gases do efeito estufa.

Com a migração para o sistema de plantio direto (SPD) de alta qualidade, além de expansão da adoção de sistemas integrados e utilização da tecnologia de fixação biológica de nitrogênio (FBN), é possível reduzir ainda mais a emissão de gases causadores do efeito estufa. Além disso, a utilização do sistema Integração Lavoura-Floresta (ILF) pode potencializar a sustentabilidade da produção.

Sendo assim, a FGV aponta também que há grande potencial para que a cultura da soja se torne não só “carbono neutro”, como também um sumidouro de carbono potencializando a participação dessa atividade em um futuro mercado de carbono (permissão de emissões) em que o Brasil estaria inserido.

Os pesquisadores destacam também a importância de acabar com o desmatamento para atingir esta meta, uma vez que, na Amazônia, um hectare desmatado emite 406 toneladas de CO2 equivalente; no Cerrado, a média é 281 toneladas.

Esperamos que mais estudos apontem caminhos para que setores fundamentais da economia brasileira possam adotar práticas mais sustentáveis, garantindo assim a preservação do meio ambiente, além do surgimento de novas oportunidades.

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Fontes: Portal FGV | Canal do Boi | Econômico Valor | CNN Brasil | Suino Cultura