Quem nunca ficou preocupado em viajar de avião com o animal de estimação e pensou em dar um calmante para ele dormir durante todo o trajeto? A ideia parece fazer sentido à primeira vista, já que ninguém quer ver o bichinho estressado com o ambiente barulhento e as turbulências. Mas a verdade é que essa prática, além de desaconselhada, pode colocar a vida do animal em risco.
Por que os veterinários e as companhias aéreas não recomendam a sedação
Órgãos globais de medicina veterinária e de aviação civil desaconselham o uso preventivo de calmantes como regra geral para o transporte aéreo. A rejeição a essa prática se baseia em riscos que aumentam significativamente dentro de um ambiente pressurizado como a cabine de um avião.
Os medicamentos com efeitos sedativos causam uma forte depressão nos sistemas cardíaco e respiratório de cães e gatos. Dentro da aeronave, as variações de pressão e o estresse térmico intensificam essas reações químicas, criando um cenário perigoso que pode levar a paradas respiratórias ou crises cardiovasculares graves.
A perda dos reflexos naturais de proteção
Outro fator crítico está na perda dos reflexos motores naturais que protegem o animal de acidentes dentro da caixa de transporte. Sob o efeito de calmantes pesados, o pet perde a capacidade de se reequilibrar ou mudar de posição durante os movimentos bruscos da decolagem, do pouso e das turbulências que acontecem durante o voo.
Esse estado letárgico impede que o animal se proteja contra impactos nas paredes da caixa de transporte, aumentando as chances de lesões físicas ou sufocamentos acidentais. O que parecia uma forma de proteger o bicho do estresse acaba se tornando um risco ainda maior para a integridade física dele.
O despertar em um ambiente desconhecido
Existe uma crença de que a sonolência poupa o animal do estresse causado pelos ruídos e tremores do avião. Mas o que muitos tutores não sabem é que o estado de confusão mental gerado pelas substâncias pode elevar o nível de pânico do animal quando ele acorda em um local completamente desconhecido e sem entender como chegou ali.
O que dizem as regras da aviação
As diretrizes da IATA, a Associação Internacional de Transportes Aéreos, estabelecem que animais que necessitam de sedação química para viajar não são considerados aptos para o voo. Isso significa que, se um tutor levar o animal sedado ao aeroporto, a companhia aérea pode recusar o embarque.
Caso o bicho sofra de ansiedade extrema ou condições crônicas que exijam controle medicamentoso, a situação de transporte precisa ser reavaliada antes da compra das passagens. Nesses casos, o veterinário responsável deve ser consultado para encontrar alternativas seguras e adequadas para cada situação.
Como preparar o animal para uma viagem tranquila
A estratégia mais eficiente para garantir um voo tranquilo envolve um treinamento comportamental focado no condicionamento do animal, e deve começar semanas antes do embarque. A caixa de transporte, em vez de ser apresentada apenas no dia da viagem, precisa ser inserida na rotina da casa como um espaço de descanso positivo e seguro.
Realizar passeios longos e atividades físicas intensas antes de ir para o aeroporto ajuda a gastar a energia do pet, induzindo um relaxamento natural e saudável sem a necessidade de medicamentos. O controle rigoroso da alimentação e da hidratação prévia também é essencial para evitar episódios de enjoos, vômitos e desconfortos intestinais durante o voo.
O que levar dessa informação
A vontade de proteger o animal do estresse de uma viagem é compreensível e mostra o cuidado que os tutores têm com seus bichos. Mas a sedação química não é o caminho mais seguro. Com planejamento, treinamento adequado e acompanhamento veterinário, é possível fazer com que a experiência de voar seja muito menos traumática para o pet, sem colocar a saúde dele em risco dentro da cabine pressurizada.
Fonte: UOL








