Cientistas descobriram recentemente um pigmento azul, presente no repolho roxo, que pode ser uma alternativa natural aos corantes artificiais.

Pigmentos azuis são raramente encontrados em recursos naturais como plantas e rochas, o que significa que a maioria dos produtos com essa cor – incluindo doces, bebidas, comprimidos de remédios, cosméticos e roupas – necessitam de corantes sintéticos para sua produção.

Estes corantes sintéticos são tipicamente feitos de petroquímicos, levando a preocupações sobre seus impactos ambientais e sobre sua segurança na ingestão humana no caso dos alimentos. O corante azul, por exemplo, pode causar, entre outros problemas, hiperatividade em crianças. O azul indigotina, que é a tintura do anil, pode ser responsável por náuseas, vômito, hipertensão e problemas respiratórios.

Descoberta

Cientistas levaram décadas pesquisando por alternativas naturais. Agora, Pamela Denish, da Universidade da Califórnia, em Davis, e seus colegas descobriram um pigmento no repolho roxo, similar ao corante artificial Azul Brilhante FCF ou E133.

Esse pigmento azul natural – um tipo de molécula de antocianina – só pode ser encontrado em pequenas quantidades na couve roxa.

No entanto, os pesquisadores descobriram que podiam produzir quantidades maiores tratando as antocianinas de cor vermelha dominantes presentes no repolho roxo com uma enzima especialmente projetada que os tornava azuis.

A equipe usou o novo pigmento azul para fazer sorvete azul, cobertura de donut e lentilhas revestidas de açúcar. Esses produtos mantiveram a cor azul ao serem armazenados por 30 dias em temperatura ambiente.

Alguns testes de segurança ainda precisam ser realizados, antes que o corante azul natural possa ser usado em alimentos, mas Kumi Yoshida, da Universidade de Nagoya, no Japão, um dos autores do estudo, diz que é improvável que o pigmento ofereça efeitos adversos à saúde. “As antocianinas do repolho roxo têm uma longa, longa história em nossas dietas”, diz ela.

A razão pela qual a cor azul é tão incomum na natureza é porque estruturas moleculares complexas são necessárias para absorver os comprimentos de onda certos de luz para dar uma aparência de azul, diz Rebecca Robbins do Mars Wrigley Global Innovation Center nos EUA, que também esteve envolvida em o estudo. “São necessárias algumas [poucas] características moleculares específicas”, diz ela.