Como os recifes artificiais influem na conservação da biodiversidade?

Evitar a prática da pesca de arrasto e servir de berçário para animais e vegetais, os recifes artificiais podem ser a solução para manter o equilíbrio da vida debaixo d’água

30 de janeiro de 2014
publicado por
Redação
Recife artificial

Foto: almasurf

Para compreender os benefícios gerados a partir do uso de recifes artificiais é necessário primeiro compreender o que são e como funcionam esses recifes. Na prática o uso de recifes artificiais é devidamente normalizado pelo IBAMA através da NI nº22.

Recife artificial é uma estrutura construída de maneira natural ou pelo homem, inerte e não poluente, colocada de maneira intencional em meio subaquático, que mantém contato direto com o fundo do mar ou rio. De forma previamente planejada, os recifes artificiais vêm alterar os relevos naturais e, de acordo com os interesses locais, influenciar os processos químicos, físicos, geográficos e socioeconômicos.

Os recifes artificiais são formados a partir de qualquer objeto de tamanho e formato diverso, que estrategicamente são lançados ao mar ou rio. Navios naufragados, por exemplo, são ótimas opções para a formação de recifes, além de serem um atrativo a mais na prática de mergulho esportivo. Segundo relato o Instituto de Oceanografia da USP, estruturas feitas em concreto são os mais indicados para a formação de recifes artificiais, uma vez que esse tipo de material tem um tempo de vida longo, não modifica e nem agride o ambiente e, por ter superfície áspera, facilita a fixação de organismos aquáticos.

Benefícios para a biodiversidade

O principal ponto a favor dessa prática está na dificuldade que os recifes artificiais provocam na prática pesqueira de arrasto, que consiste em jogar uma extensa rede na água que puxa arrastando ou varrendo tudo que encontra dentro d’água, destruindo e ameaçando a vida de vegetações e espécies de animais que ainda não estavam na época correta para pesca.

Recife artificial

Foto: hojeemdia

As estruturas ao serem colocadas no fundo do mar e rios atraem diversas espécies de peixes, moluscos e crustáceos que aproveitam os locais para se reproduzirem, protegendo-se de possíveis predadores. Isso significa que os recifes passam a ser berçário desses animais, dessa forma contribuem para o equilíbrio da biodiversidade das espécies aquáticas.

Cuidados

Para que se possa colocar qualquer tipo de estrutura dentro de ambientes aquáticos, antes é necessário um estudo objetivado, detalhado e com propósitos bem específicos. Para que exatamente o recife irá servir? Onde irá ser implementado? Quem irá fiscalizar? Sanadas todas essas e outras questões e com os cuidados ambientais necessários é que o projeto poderá sair do papel. O principal cuidado, ainda segundo pesquisadores da USP, é para que essa prática não se torne mais uma armadilha de pesca, ou seja, colocadas para servir apenas para atrair os animais como iscas.

No Brasil, o estado do Paraná possui, atualmente, o maior programa de recifes artificiais marinhos, o RAM (Recife Artificiais Marinhos), criado pela PUC-PR com cerca de 2 mil estruturas submersas nas ilhas de Currais e Itacolomis. A PUC-PR possui e disponibiliza os estudos e dados detalhados sobre desenvolvimento do RAM.