Quase 50% das UCs federais sofrem com a presença de espécies exóticas da fauna

104 espécies formam o grupo de invasores que, por sua vez, contribuem para o desequilíbrio do ecossistema local

5 de julho de 2017
publicado por
Redação

Ramilla Rodrigues/ ICMBio Espécies exóticas provocam a quebra do equilíbrio natural do ecossistema.

De acordo com um estudo feito pela analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Tainah Guimarães, quase metade das Unidades de Conservação (UCs) federais estão enfrentando um sério problema com a grande incidência de espécies invasoras.

Segundo a especialista, pelo menos 48% das UCs federais contam com alguma espécie exótica, sendo que, em 60% das unidades de proteção integral há registros desses animais. No total, 104 espécies exóticas compõem esse grupo e 59 delas colocam em risco a biodiversidade local.

Em nota oficial em seu site, o ICMBio definiu essas espécies invasoras como aquelas que estão fora de sua distribuição natural e foram introduzidas por seres humanos. No geral, isso acaba acontecendo por objetivos econômicos ou até mesmo acidentalmente (navios trazem espécies incrustradas nos cascos, por exemplo). Há também a questão do abandono de animais domésticos, que acabam encontrando as UCs.

Espécies exóticas interferem na vida dos animais locais

Entre as principais consequências causadas pelos invasores está a quebra do equilíbrio natural do ecossistema, já que os novos animais alteram a forma como a cadeia pré-existente no local se desenvolve. Fatores como dieta flexível, capacidade de gerar vários filhotes por ninhada, baixo intervalo do ciclo de reprodução ajudam uma espécie a se fixar num ambiente e se reproduzir.

O javali, por exemplo, que é uma das espécies com maior ocorrência nas UCs, se caracteriza como um animal agressivo e de dieta bastante diversificada, que espanta os predadores locais e impede a regeneração natural. Para espécies como catetos e porcos-do-mato, que são protegidas pelas UCs, sua aparição pode acarretar grande impacto nessas populações.

Para corrigir o problema, Tainah explica que o manejo deve ser feito por meio da prevenção da entrada desses animais, além da erradicação da população e controle, que pode ser feito por castração, abate ou introdução de agentes como patógenos ou predadores naturais.

O fato de algumas das Unidades de Conservação estarem localizadas perto de grandes cidades, também contribui para que animais domésticos migrem para dentro desses espaços. Além da capivara, cães, gatos, peixes ornamentais, porcos, cavalos e jumentos são algumas das espécies de fauna exótica mais comuns às UCs.