Antártida: possível rompimento de plataforma de gelo pode causar sérias consequências

Cientistas alertam que os danos do descolamento são ainda imensuráveis

7 de julho de 2017
publicado por
Redação

NASA/John Sonntag Plataformas como a Larsen C são responsáveis por estabilizar os mantos de gelo.

Não chega a ser uma novidade o degelo ser um dos problemas visivelmente mais graves ocasionados em razão do aquecimento global. Nos últimos dias, a plataforma de gelo Larsen C, localizada na Península Antártica, tem chamado atenção e pode ser o pivô de uma série de consequências para o planeta num futuro próximo.

De acordo com o professor de Ciências Térmicas na Universidade São Thomas (EUA), John Abraham, em entrevista para um portal Deutsche Welle, uma grande fissura ameaça romper a plataforma e, com o derretimento do gelo antártico, pode desencadear grandes problemas para todo mundo.

Segundo o especialista, o possível descolamento da Larsen C pode configurar um desastre com níveis de instabilidade ainda sem exatidão. Isto porque essas plataformas são responsáveis por estabilizar os mantos de gelo e quando se partem acabam alterando as geleiras continentais.

Ainda não se sabe ao certo quando o rompimento acontecerá, mas os cientistas vêm acompanhando já há algum tempo o movimento da plataforma em tempo real e estão certos de que a ação é inevitável. Ainda que indiretamente, a saída dos EUA do grupo de signatários do Acordo de Paris, além dos cortes nas verbas de pesquisas científicas e nos investimentos em tecnologia, têm potencializado a dificuldade dos especialistas em medir os danos.

Ao mesmo tempo, John alertou para a preocupação que pairava sob a comunidade científica a respeito do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declaradamente nunca acreditou no aquecimento global e suas consequências. O professor destacou, inclusive, que todos temiam a possibilidade de o governo norte-americano sabotar o Acordo, caso continuasse no mesmo.

Sobre o futuro, os cientistas têm percebido o aumento dos níveis dos oceanos em alguns milímetros todos os anos, e esse crescimento tem se acelerado cada vez mais. A estimativa é de que, em 2100, o nível global das águas esteja um metro acima do atual.