Documentário independente discute crise hídrica em São Paulo

“A Crise da Água 360°” analisa aspectos da crise em termos de urbanismo, meio ambiente, economia e poder público e deve ser lançado em março de 2016

13 de dezembro de 2015
publicado por
Roberta Santana

Fernando Kawai Longa traz relatos de cientistas, estudiosos estrangeiros, ativistas e civis.

Depois do verão mais quente e seco em sete décadas, São Paulo vivenciou profunda crise hídrica que se intensificou ao logo de 2015. O Sistema Cantareira, principal reservatório da capital, chegou ao nível de 3,5% da sua capacidade em outubro, o mais baixo já registrado desde que foi criado, em 1974.

Motivada pela importância da reflexão sobre a importância da água, a Rapadura Filmes, produtora independente, produziu um documentário que discute e analisa os aspectos estruturais que desencadearam tal crise. “Acreditamos que o documentário vai causar muito impacto, vai abrir os olhos de muita gente. Estamos oferecendo uma visão clara e empírica do problema que deve ser discutido”, relatou James Lloyd, codiretor do documentário, ao Pensamento Verde. “Saneamento universal não é uma opção, água potável não é uma opção. Vamos mostrar que os dois são interdependentes e essenciais”, completou.

O documentário reúne relatos de cientistas, políticos, estudiosos estrangeiros, urbanistas, ativistas e civis que sofreram os impactos do racionamento e explora todos os aspectos da crise, suas causas e consequências. “As pessoas ignoram a crise hídrica até serem confrontadas com ela”, disse.

Fernando Kawai Filme deve ser lançado no primeiro semestre de 2016.

Para Lloyd, a crise não foi causada por um culpado e há falhas que não podem ser ignoradas. “Há responsabilidades que têm que ser assumidas. Existem mudanças que precisam ser feitas, que vão desde a cultura das pessoas até a gestão”, acrescentou o diretor. “Não existe um só culpado ou uma solução imediata. O mais importante agora é promover o debate e fazer as pessoas refletirem sobre como as nossas ações impactam na administração consciente desse recurso.”

O projeto contou com a ajuda de um financiamento coletivo, mas a maior parte dos recursos foram investimentos da própria produtora. “O interesse financeiro é mínimo. Já investimos mais tempo e dinheiro nesse projeto do que se pode ser realisticamente reembolsado”, disse.

Isentos de posição política, os produtores esperam que o produto final tenha forte apelo internacional, transformando São Paulo em um exemplo para cidades do mundo que enfrentam ou podem enfrentar situações parecidas.

O lançamento oficial do documentário ainda não tem uma previsão. Os produtores esperam que uma edição “off-line” fique pronta para o Rio Content Market, a ser realizado em março de 2016, e que o produto final seja lançado entre 45 e 60 dias depois.

“O filme será, esperamos, uma bela obra de documentário, expressivo, refletivo e emotivo, com forte poder de comunicação”, finalizou.