Onde está sua empresa?

© Depositphotos.com / ryanking999 Em estágio avançado ou ainda engatinhando, existem empresas realmente preocupadas com o futuro do planeta.

Há dois anos publicamos um post que obteve ótima repercussão em nossas mídias sociais. Inspirados numa imagem do WWF (abaixo), apresentamos uma escala corporativa de sustentabilidade e responsabilidade social.

No topo, as empresas de impacto positivo, aquelas cujos negócios ajudam outras corporações a fazer sua parte. Além da Carbono Zero Courier, da qual sou gestor, que oferece entregas em bicicletas e veículos elétricos para substituir os poluidores motoboys, podemos citar a YouGreen, que coleta e destina o descarte das empresas, transformando o conceito de lixo; a Repassa, que funciona como um brechó virtual, dando uma nova vida a roupas e acessórios que estavam encostados em algum armário; a Positiv.a, que produz artigos de limpeza concebidos da matéria-prima à distribuição, para serem eficientes e ecológicos, e muitas outras.

Divulgação / Escala corporativa de sustentabilidade e responsabilidade social

Em um nível inferior, vinham as empresas que conseguem zerar o impacto negativo de suas ações, via consumo consciente e ações compensatórias. Nesse grupo “deveriam” estar todas as demais. Não se espera que todos os negócios tenham a sustentabilidade como propósito, que criem soluções para outros, mas é justo pedir que tenha a sustentabilidade como princípio, como meio para atingir seus objetivos, sejam eles quais forem. De forma simples, seria aplicar os mesmos conceitos que estampam aqueles cartazes nos cantinhos do café: sujou, limpe; bagunçou, arrume; usou, reponha.

No degrau abaixo, apareciam as que descobriram ou começaram a agir tardiamente, mas que já estão se mexendo e vêm obtendo resultados e diminuindo sua pegada ecológica.

Por último, o grupo que sofria de cegueira corporativa. Existem aí tanto empresas que não compreendem causas/efeitos de suas ações (desinformadas) quanto aquelas que sabem dos impactos negativos causados por seus processos, mas preferem fingir que não sabem, optando pelo lucro fácil, pela abordagem inconsequente, egoísta e de curto prazo (desonestas). É como aquele sujeito que vai ao happy hour, bebe e come, mas na hora de pagar a conta, dá um jeito de escapulir para o banheiro.

Como os efeitos danosos do aumento constante das concentrações urbanas tendem a piorar (poluição  doenças respiratórias; congestionamentos  desperdício de tempo; falta de espaço  redução de áreas verdes), pergunta-se do que mais os gestores precisam para repensar e mudar suas empresas: legislação mais dura? Boicote de clientes? Sansões de fornecedores? Ou será que basta um retrato dos filhos sobre a mesa de trabalho, para nos lembrar nas horas que fizemos nossas escolhas corporativas de que precisamos deixar para eles um mundo melhor do que aquele que recebemos?

Leonardo Lorentz

Leonardo Lorentz é sócio e gestor da Carbono Zero Courier, empresa que realiza entregas de forma sustentável. Especialista em estratégia e gestão de empresas, possui 24 anos de experiência profissional. É administrador de empresas com habilitação em comércio exterior pela UNA e pós-graduado em consultoria pela FIA/USP. Trabalhou na Siemens, Intelbras, Andersen e Sebrae. É também sócio-fundador da consultoria BlumeGrupe, conselheiro da ONG Sorri-Brasil e professor de estratégia e marketing em cursos de MBA. Acesse: https://carbonozerocourier.com.br