Boas práticas e inovação: ingresso para o futuro

6 de agosto de 2017
publicado por
Marilena Lavorato

© Depositphotos.com / Olivier26 Idealizadora do Prêmio Benchmark Brasil cita algumas teorias de Prahalad sobre negócios e sustentabilidade.

Todos que trabalham com sustentabilidade conhecem a agenda ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU com seus 17 objetivos e 169 metas para serem atingidos até 2030, com o propósito de assegurar um futuro sustentável. Uma agenda com 5Ps (Pessoas, Planeta, Paz, Prosperidade e Parcerias) que começou a vigorar no final de 2015 substituindo e aprimorando os ODMs (Objetivos do Milênio) da ONU.

O objetivo número 1 dos ODSs é a erradicação da pobreza, em todas as suas formas e em todos os lugares. Até então nenhuma novidade. O interessante é fazer a conexão deste objetivo com autores de management para entender a sua viabilidade. Em outras palavras, será possível erradicar a pobreza no mundo? Na visão de Prahalad (um famoso autor indiano do mundo dos negócios) sim, é possível. E, mais do que isto, é necessário para a prosperidade econômica mundial.

Prahalad pensou esta questão com uma clareza ofuscante, defendendo uma solução pragmática para tal. No seu livro “A Riqueza na Base da Pirâmide – Como Erradicar a Pobreza com o Lucro”, lançado no Brasil em 2005, ele defende a inclusão de 4 bilhões de pessoas de baixa renda no mercado de consumo como forma de garantir uma etapa de prosperidade econômica mundial. Para ele, as estratégias corporativas deveriam ser arquitetadas a partir de oportunidades e o mercado inclusivo era uma oportunidade de crescer, ganhar dinheiro e melhorar a vida das pessoas.

Ou seja, acabar com a pobreza ganhando (e não perdendo) dinheiro. Ele tinha um olhar para o futuro baseado no desenvolvimento amplo, geral e irrestrito – e não apenas em teorias centradas em custo. Ele pensava grande, e era muito respeitado por sua habilidade de entender e decifrar movimentos que mudaram destinos e rotas no mundo dos negócios.

Coimbatore Krishnarao Prahalad deu sua contribuição para a erradicação da pobreza há mais de uma década. A Agenda da ONU na época tinha apenas oito objetivos, os chamados ODMs.

Negócios, ética e sustentabilidade

 

No final da sua vida (ele morreu em 2010), Prahalad escreveu, em parceria com colegas, artigos sobre sustentabilidade e defendeu a inovação com a mesma paixão. Disse que “empresas inteligentes tratam a sustentabilidade como uma nova fronteira de inovação”. Mais uma vez, perfeito na sua conclusão. Uma empresa não tem que ser boazinha, tem que ser inteligente. E a sustentabilidade é inteligência com ética.

Em um de seus livros “Competindo pelo Futuro” (1994), ele afirma que “nos negócios, como na arte, o que distingue os líderes dos retardatários é a capacidade de imaginar com originalidade o que é possível”. Para ele, empresa é bem mais do que um conjunto de silos, mas ambientes dinâmicos de práticas e tecnologias, com profundo conhecimento sobre suas potencialidades. Neste momento, fecha o entendimento de que tratar sustentabilidade como uma nova fronteira de inovação é inteligente, porque aumenta a competitividade da organização.

Ele era claro nas suas falas e persuasivo em suas conclusões fundamentadas pela racionalidade do seu pensamento pragmático. Era também um otimista ao articular e revisitar conceitos atuais e antigos, que nem sempre estavam bem conectados. E que ele explorava de forma magistral.

Para Prahalad, o futuro é construído pela dupla: imaginação e ação. Propunha pensar o futuro da forma como de fato ele é. Uma oportunidade. Um destino que precisa de trilhas, mochilas e atalhos para lá chegar, e bem.

Entendo que sustentabilidade dentro do seu pensamento, representa a mochila (com tudo o que se precisa) para se chegar em segurança ao nosso destino – o futuro.
Sugeriu desapegar das velhas práticas, aquelas que deram certo em contextos que já não existem mais, pois não serão úteis na trilha que nos leva ao futuro (os contextos são outros). Recomendou esquecer as velhas práticas e pensar nas próximas práticas, pois elas são o nosso ingresso para o futuro. E que elas (as práticas), com tamanha responsabilidade, sejam boas e tenha excelência.