Pesquisadores criam peneira que transforma água do mar em água potável

O óxido de grafeno utilizado na criação da peneira, além de ser um material muito mais acessível, contribui significativamente com o meio ambiente

15 de abril de 2017
publicado por
Redação

© Depositphotos.com / eduardkraft Experimento não é inédito, mas pesquisadores fizeram modificações.

Segundo uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente 40% da população mundial sofre com a falta de água. Esse grave problema, além de aumentar consideravelmente a sede no mundo, traz graves consequências para economia e política das nações.

Foi tentando solucionar esse problema que pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, desenvolveram uma peneira capaz de transformar água do mar em água potável.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Nature Nanotechnology e mostram que a peneira foi criada utilizando o óxido de grafeno (forma cristalina de carbono), substância altamente eficaz na dessalinização.

O grafeno é uma substância composta por uma camada fina de átomos de carbono ordenada em um tipo de treliça hexagonal. Suas propriedades fizeram dele um dos materiais mais favoráveis para futuras aplicações. Mas, por ser bastante difícil e caro de ser produzido, o professor e pesquisador, Rahul Nair, resolveu utilizar na criação da peneira o óxido de grafeno, substância que pode ser facilmente feita em laboratório.

Ele ressaltou, em entrevista ao site da Universidade: “Em forma de solução ou tinta, podemos aplicá-lo em um material poroso e usá-lo como membrana. Em termos de custo do material e produção em escala, ele tem mais vantagens em potencial do que o grafeno em uma camada.”

O material já havia sido testado anteriormente e apresentou um sério problema: quando inserido na água, a membrana feita com esse óxido tinha seu volume aumentado, deixando que as partículas de sais menores passassem junto com as moléculas aquáticas.

Para resolver essa situação, os pesquisadores implantaram em cada lado da membrana uma espécie de parede feita de resina epóxi. Esse método parou com o inchaço, conseguindo ajustá-lo de forma que os sais passassem corretamente por entre os buracos.

“A descoberta de membranas ajustáveis com tamanhos uniformes de poros até a escala atômica é um passo à frente significativo e irá abrir novas possibilidades para o desenvolvimento eficaz da tecnologia de dessalinização”, explicou Rahul. Ele ainda afirmou que esse processo poderá ser utilizado também para filtragem de íons.

Esse estudo é bastante importante para o futuro, pois dados da ONU mostraram que até 2025 cerca de 1,2 bilhão de pessoas no mundo sofrerão com a falta de água. Por isso, o grupo de pesquisadores está aprimorando cada vez mais o estudo, para que essa tecnologia se torne viável para todos os países.

Hoje são utilizadas duas técnicas de dessalinização: o multiestágio de destilação e a osmose reversa, entretanto, para Ram Devanathan, cientista do Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico, nos Estados Unidos, ambos os métodos são bastante prejudiciais, causando grandes impactos ambientais. O que deixa claro que o óxido de grafeno pode ser a melhor solução, afinal, além de ser mais barato, pode colaborar com meio ambiente.