Okja: Netflix causa reflexão com crítica ao consumo de carne e sua indústria

Obra levanta diversos pontos de discussão sobre a relação entre o homem e os animais

4 de agosto de 2017
publicado por
Redação

Reprodução / Netflix Longa coloca em discussão a relação que existe entre o consumo e a indústria de alimentos.

Natureza e ciência sintetizados. Essa é a definição da personagem Lucy Mirando (interpretada por Tilda Swinton) ao descrever sua “invenção” em determinada parte do filme. Okja, um animal geneticamente modificado e criado pela Mirando Corporation, pode e deve ser observada como uma versão 2.0 das espécies.

A trama começa quando a corporação anuncia a criação de uma raça de superporcos, que mais parecem rinocerontes, sob a justificativa de que o grande bicho seria cultivado com a missão de acabar com a fome mundial.

Isto porque a criatura apresentaria diversas qualidades favoráveis à sua reprodução tanto para seus produtores como para a natureza (já que sua pegada deixada no meio ambiente é muito menor que a dos outros animais).

Para tornar global o alcance do projeto, Lucy distribui 26 unidades da espécie ao redor do planeta, com o objetivo de fazer com que cada fazendeiro local criasse o animal de acordo com as características geoculturais da região. Uma delas é Okja, que cresce e se desenvolve em uma afastada fazenda sul-coreana sob os cuidados da pequena Mikha (Seo-Hyun Ahn) e seu avô.

Passados dez anos, a corporação, através de sua análise e monitoramento dos animais, identifica em Okja o melhor desenvolvimento entre os exemplares, e decide então resgatá-la para realizar testes científicos mais detalhados e aproveitar sua grande excelência para fins comerciais mais interessantes para a empresa.

No decorrer da obra, Mikha se esforça para impedir que o animal seja tirado dela, enfrentando Lucy e seus contratados por várias vezes e de diversas formas. Até que consegue, enfim, recuperar a grande parceira, com a ajuda da Frente de Libertação Animal (um movimento não-fictício com papel bastante significativo para a narrativa e luta real contra a indústria pecuária).

Uma crítica às práticas de consumo

Diferentemente do que muitas críticas destacaram, a obra não se desenvolve como um apelo ao veganismo e seus princípios – uma vez que, a própria protagonista consome carne de peixe e frango em alguns momentos da história.

O filme tem sua reflexão pautada pela questão de estimular o debate sobre a relação entre homem e natureza. O limite (ou falta deste, no caso) é o principal problema da indústria e de seus consumidores, que persistem em ignorar o abatimento descontrolado de animais para saciar seus interesses. “Se for barato eles vão comer”, destaca Nancy Mirando, outra personagem vinculada à direção da corporação.

“Não é nossa culpa se os consumidores estão paranoicos com alimentos transgênicos”, enfatiza Nancy em outro momento, levantando a bola também para outra questão importante. O ativismo ambiental, representado pela FLA, é também interpretado de maneira inteligente, sendo destacado por cenas de não violência e comprometimento com a causa por parte de seus integrantes.

Por fim, Joon-Ho Bong, diretor do filme, conclui seu trabalho mostrando com cuidado e delicadeza a realidade dos abatedouros, onde outros superporcos (que não tiveram a mesma sorte de Okja) estão enfileirados a espera de sua transformação em mercadoria.