“Este é o meu legado”, diz morador da Zona Leste que plantou, sozinho, 19 mil árvores

Em meio a espécies nativas da Mata Atlântica, espaço chamou atenção do poder público e, em 2007, foi instituído o parque linear

31 de dezembro de 2015
publicado por
Roberta Santana

 

Reprodução Hélio Santos começou a plantar árvores no local há 12 anos.

As dificuldades não abalam o senhor Hélio Santos, 64, pai de três filhos e de 19 mil árvores, plantadas uma a uma no bairro em que reside há 50 anos, e que orgulhosamente se autointitula “O plantador de árvores”. “Eles vão destruir 500 árvores e eu vou plantar mais 500. Eles vão cansar de destruí-las, mas eu não vou parar de plantá-las”, disse o empresário da agricultura orgânica ao Pensamento Verde.

A empreitada começou há exatos 12 anos em uma área pública, na Penha, Zona Leste da capital paulista. Sozinho, Helio plantou, às margens do córrego Tiquatira, todas as árvores, das quais 150 espécies são nativas da Mata Atlântica. “Esse espaço era terra de ninguém, as pessoas faziam o que queriam aqui. E se um espaço público também é meu, eu vou fazer alguma coisa, mas vou fazê-la para o bem coletivo. Aí pensei e executei. Agora o meu objetivo é transformar esta área em uma extensão da Mata Atlântica”, disse.

Reprodução Cerca de 150 espécies plantadas são nativas da Mata Atlântica.

Os desafios foram e são muitos, sobretudo a resistência da população. “Na primeira tentativa, eu plantei 200 mudas. Destruíram todas. Na segunda, plantei 400. Voltaram a destruir. Na terceira, plantei logo 5 mil”, relatou.

Helio lembra que para cada 12 árvores no espaço, uma é frutífera. E, entre amoras, mutambos e pitangas, a intenção do plantio de frutas é atrair pássaros e insetos para o local. “Tem gente que prefere baile funk. Eu prefiro a sinfonia dos pássaros”, brincou.

Mas, felizmente, não foram só os pássaros que o seu Helio atraiu, não. Segundo ele, o tráfego de pessoas também aumentou, saltou de 200 visitas por semana para 2.500, especialmente pela proximidade com a Unidade Básica de Saúde da região.

Em maio de 2007, com mais de cinco mil plantas cuidadas pelo plantador, o espaço chamou atenção do puder público. “Aos poucos, foram aparecendo algumas benfeitorias no espaço, como segurança e banheiros públicos”, lembra. Hoje, os esforços de Helio resultaram na fundação do Parque Linear Tiquatira – “linear” por tratar-se de preservação ambiental ao longo de extensões de água, o primeiro da capital.

Helio diz que o seu legado não é outro senão esse e que, em 30 anos, serão 50 mil árvores plantadas, todas genuínas da Mata Atlântica. “Eu vou plantar árvores até não poder mais. Vou viver até os 87 anos, já fiz um pacto com Deus”, brincou. “Imagine um Jequitibá plantado aqui. Daqui a mil anos ele ainda estará aqui. O homem só precisa deixar”, finalizou.

Reprodução Para cada 12 árvores plantadas no espaço, uma é frutífera.

Serviço
Local: Parque Linear Tiquatira
Endereço: Avenida Governador Carvalho Pinto, 1665/1757, Penha
Contato: (11) 2641-2712