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Construções Sustentáveis: Materiais e Processos

Categoria: Arquitetura Verde24 de abril de 2013
publicado por
Redação

O discurso sustentável que anteriormente era utilizado como mera jogada de marketing, passou a ser percebido como um investimento lucrativo por empresários de diversos setores.

No ano passado a empresa multinacional Coca-Cola, que comprou a marca Matte Leão, inaugurou a sua nova fábrica de chás, no município de Fazenda Rio Grande, no Paraná, construída dentro dos padrões LEED, certificada pela Green Building Council. Apesar de um investimento cerca de 8% maior do que as construções convencionais, o diretor geral do grupo SABB – Sistema de Alimentos e Bebidas do Brasil –, Axel de Meeûs, afirmou que a economia proporcionada pelo telhado verde, captação de água da chuva, painéis solares e triagem de resíduos, deve compensar os custos construtivos em apenas cinco anos, além de impactar menos o meio ambiente e proporcionar melhor conforto térmico para os funcionários que ali trabalham.

Em São Paulo, o empresário Gilberto Meirelles fez dos entulhos gerados pela construção civil uma empresa lucrativa. A Estação Resgate recicla os dejetos retornando os materiais descartados ao mercado construtivo. Hoje a empresa fatura cerca de R$ 125 mil reais mensais, gerando empregos e contribuindo com o meio ambiente.

Os investimentos em materiais e processos construtivos sustentáveis se mostram altamente lucrativos não só para os fabricantes como para quem constrói.

Implantação da Obra

(Contrução Civil) Durante a escolha do terreno e da implantação do edifício devem ser observados os aspectos físicos, ambientais, socioeconômicos e culturais do entorno. O clima, o movimento solar, o regime de chuvas e a direção dos ventos definem o posicionamento ideal de ambientes e aberturas para garantir o conforto térmico das edificações.

A permeabilidade do solo é um importante mecanismo de drenagem da água da chuva, que previne alagamentos e inundações, comuns nas grandes cidades em função da alta taxa de ocupação. Respeitar a volumetria do terreno, reduzindo as movimentações de terra, também causa menos danos ao meio ambiente.

As estratégias de implantação dos edifícios marcam o início do processo construtivo de baixo impacto ambiental, anteriores aos estudos volumétricos e a escolha dos materiais.

Projeto de uma Construção Ecológica

Após a definição das necessidades ambientais de cada edificação os espaços começam a tomar forma, locados para reduzir a quantidade de material utilizado, aproveitando a luz e a ventilação natural para criar sistemas passivos de condicionamento térmico e economia de energia.

Mecanismos de reaproveitamento de água da chuva ou águas cinzas são avaliados pelos profissionais de arquitetura para reduzir o consumo de água doce tratada. Materiais ecológicos são determinados observando a disponibilidade local e os benefícios ambientais, ecológicos e sociais que proporcionam.

Até a completa definição do projeto diante das melhores soluções encontradas, para garantir a usabilidade e a viabilidade econômica das edificações com o menor impacto ambiental e maior agilidade construtiva.

Não existe um projeto padrão de construção sustentável, cada local e cada obra são únicos, devendo ser meticulosamente projetados por profissionais capacitados, respeitando as normas técnicas e legislações impostas a cada região.

Técnicas Construtivas Sustentáveis e Materiais Ecológicos

Existem diversas técnicas sustentáveis de construção no Brasil e no mundo, estas são inerentes á escolha dos materiais e tecnologias regionais, pois de nada adianta importar produtos ditos sustentáveis se estes vão demandar um transporte poluente e não vão contribuir no desenvolvimento econômico e social da região. A seguir conheça alguns métodos de construção e produtos sustentáveis disponíveis no Brasil:

Taipa de Pilão

Até os meados do século XIX as construções em taipa de pilão eram comuns no Brasil. Antes da própria definição de arquitetura sustentável, tratava-se de um sistema que utilizava o barro como principal componente nas estruturas das edificações. Devido à abundância em muitas regiões do país, a dificuldade de transporte de materiais considerados mais nobres e a baixa qualificação de mão de obra, esta técnica foi comumente utilizada no país até o emprego dos tijolos queimados.

Museu do Ipiranga

O Museu do Ipiranga tem paredes de Taipa de Pilão. Foto: Soldon

Sem pretensões ambientalistas, este tipo construção tradicional da arquitetura brasileira pode ser considerado ecologicamente correto, pois utiliza materiais e mão de obra local, é um composto totalmente orgânico, se decompondo com facilidade na natureza, e tem propriedades térmicas. Ainda hoje esta técnica é utilizada em determinadas regiões brasileiras com adaptações para garantir maior resistência.

Tijolo de Solo Cimento

Os tijolos de solo cimento começaram a ser utilizados no ano de 1948, porém foram largamente difundidos recentemente com as mudanças nos paradigmas da construção civil, visando a proteção ambiental. Os tijolos ecológicos derivam da técnica de taipa de pilão, já que também leva o solo como componente principal, aliado ao cimento que atua como cola e a água que permite a modelagem, oferecendo maior resistência física e qualidade controlada. Pode ser executado in loco e dispensa mão de obra qualificada. Seu custo é inferior as construções de alvenaria tradicional, permitem a passagem de tubulações entre os furos e como os tijolos são prensados sem necessidade de serem queimados, poluem menos.

Tijolo de Solo Cimento Reciclado

Essa variação do tijolo de solo cimento foi desenvolvida por pesquisadores da Unesp que reciclaram resíduos de construção e obras demolidas para criar um tijolo de baixo custo, com propriedades semelhantes ao tijolo de solo cimento tradicional. Os resíduos de demolição possuem características granulares que oferecem maior resistência e redução de custo.

Madeira Certificada

Madeira Certificada

Foto: angela7

Nem sempre é fácil determinar a procedência dos materiais utilizados, para isso existem os selos de certificação que garantem que a madeira seja derivada de áreas de manejo florestal e reflorestamento. A madeira é um material nobre e renovável, desde que os recursos sejam extraídos corretamente. A produção madeireira proveniente do manejo florestal contribui para absorver um dos principais gases de efeito estufa, o CO2. Já a extração ilegal da madeira é responsável por boa parte das emissões brasileiras de poluentes atmosféricos.

O uso da madeira acompanha a evolução humana, nas construções o material apresenta durabilidade, resistência, alto nível de reutilização e propriedades térmicas e acústicas. É amplamente utilizada nas estruturas, revestimentos de paredes, forros e pisos e na decoração.

Madeira de Demolição

A madeira reciclada, ou também chamada de madeira de demolição, virou artigo de luxo entre os arquitetos de interiores, presentes nos melhores projetos. Um material que até então era descartado está sendo amplamente utilizado, já que existem diversas empresas especializadas em reaproveitar madeiras de demolição. É uma forma de dar um novo uso para os componentes das edificações antigas, que dão lugar a construções atuais.

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