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ONG é referência em libertação de aves e recuperação da Mata Atlântica

Em 11 anos de dedicação, voluntários do Instituto Canto Vivo já plantaram mais de 600 mil mudas

15 de janeiro de 2016
publicado por
Redação

Instituto Canto Vivo A ONG desenvolve um trabalho permanente de distribuição de sementes de árvores, reprodução e distribuição de mudas, oficinas de reciclagem e projetos de recuperação da Mata Atlântica.

A história da criação do Instituto Canto Vivo se confunde com a história de vida da restauradora de antiguidades, Cristiane Nogueira, 40, e do corretor de imóveis, Albino Fonseca, 41. O casal, preocupado com a ameaça de extinção de aves silvestres nas matas do estado de Sergipe, buscava uma maneira de intervir sobre uma realidade preocupante.

“Em 2001, no início do projeto, mobilizamos amigos e conhecidos para realizarmos o trabalho de reprodução e soltura de aves silvestres nas matas sergipanas. Foi daí que teve origem o nome da ONG, ‘Canto Vivo’ como uma referência à libertação das aves na natureza”, falou Fonseca ao Pensamento Verde.

Ainda como uma organização não formalizada, o Instituto Canto Vivo deu seus primeiros passo. Três anos depois de trabalhar com aves, os fundadores da organização perceberam que somente a soltura não era completamente eficaz devido à alta degradação da Mata Atlântica, habitat natural das espécies.

Então, a partir de 2004, o Instituto de Preservação da Natureza Canto Vivo foi oficializado como uma organização sem fins lucrativos. Com os primeiros projetos voltados à defesa da Mata Atlântica, a ONG concentrou suas ações principalmente nos estados de Sergipe, Bahia e Alagoas.

“No estado de Sergipe, existem poucas organizações que atuam com as questões ambientais. Então a ONG passou a ter destaque e ser referência no assunto em pouco tempo, três ou quatro anos. Nesse período, realizamos alguns projetos de arborização e paisagismo em empresas e organizações públicas do estado, inicialmente com projetos pequenos, tendo em conta a pouca estrutura para a produção de mudas de árvores para o plantio”, lembrou Fonseca.

De acordo com o idealizador do projeto, desde o início, as principais dificuldades encontradas são de ordem financeira. “Há uma dificuldade grande em conseguir financiamento para os projetos. De certo modo, isso impossibilita a expansão das ações além dos estados no Nordeste. Estamos tentando conseguir financiamento por meio de editais públicos e o principal desafio é conseguir recursos para a conquista de um espaço próprio, já que ainda não temos uma sede e utilizamos uma casa emprestada”, contou.

Em 11 anos dedicados à recuperação da Mata Atlântica, o Instituto Canto Vivo já plantou mais de 600 mil mudas, diversificadas em 110 espécies. Promoveu ações de conscientização com cerca de três mil crianças, e distribui mais de 300 mil sementes por ano para a arborização urbana.

ONG estimula o interessa da população na preservação das matas

Atualmente, a ONG desenvolve um trabalho permanente de distribuição de sementes de árvores, reprodução e distribuição de mudas, ações educativas de conscientização em escolas e comunidades, oficinas de reciclagem e projetos de recuperação da Mata Atlântica. “Acreditamos na importância e necessidade de estimular o interesse dos indivíduos em preservar e recuperar as matas, esclarecendo por meio de campanhas informativas, palestras e oficinas o papel de cada indivíduo”, disse Cristiane.

A restauradora lembra que plantar uma árvore é um ato muito simples, mas de grande valia para compensar o volume do desmatamento que aumenta a cada ano. “É por isso que nosso compromisso é conscientizar pessoa por pessoa sobre a necessidade de mobilização de cada indivíduo. O ato de entregar uma embalagem com sementes e instruções para o plantio, cumpre a função de reconstruir a forma de pensar o meio ambiente”, completou.

Em todas as nossas ações, a ONG distribui sementes de árvores da Mata Atlântica, como o ipê amarelo de jardim, aroeira vermelha, falso-pau-brasil e cedro.

Esforços são concentrados em ações de recuperação da Mata Atlântica e arborização de zonas urbanas

Instituto Canto Vivo Há três anos, o Instituto Canto Vivo tem dedicado esforços em torno do problema.

O reflorestamento da Serra de São José em Campo do Brito, região agreste de Sergipe, é a maior ação de recuperação da Mata Atlântica executada pela ONG. Desde 2009, após intensas queimadas ocorridas na região, o Canto Vivo deu início à recuperação da área, com o plantio de árvores nativas. Além disso, também foram realizadas ações de conscientização voltadas à população do município, que passou a atuar como parceira no reflorestamento da região, que ainda é assistida pela ONG que promove o acompanhamento periódico da situação do local.

A baixa arborização urbana é também um problema que afeta grande parte das cidades brasileiras. Há três anos, o Instituto Canto Vivo tem dedicado esforços em torno do problema. E, com o intuito de modificar o quadro de diminuição dos espaços verdes nas cidades, criou a campanha “Uma Floresta na Cidade”, que consiste em distribuir tags com sementes para a arborização urbana, em todas as ações que a ONG desenvolve – no Dia da Árvore, comemorado em 21 de setembro, a campanha recebe reforço especial, com a distribuição de sementes em vias públicas de algumas cidades.

Novo projeto prevê reflorestamento de áreas devastadas pelas queimadas

Há cerca de dois meses, brigadistas, voluntários e bombeiros trabalham intensamente para combater o fogo que não para de avançar na Chapada Diamantina. Os muitos focos de incêndio já queimaram cerca de 15% do parque. De acordo com Fonseca, a perspectiva para o primeiro semestre de 2016 é a execução do Projeto Skyforest Chapada Diamantina/Bahia.

A proposta consiste no reflorestamento de parte das áreas degradadas pelo fogo, utilizando a técnica seed balls (bolas de sementes, em tradução livre) – bolas de argila recheadas de sementes. O projeto contará com quatro etapas previstas: coleta de sementes (que foi realizada pela ONG entre novembro e dezembro de 2015), beneficiamento (limpeza das sementes coletadas), confecção das bombas e, por último, lançamento das bombas nas áreas escolhidas para o reflorestamento.